As marcas de motocicletas no Reclame Aqui

O site Reclameaqui.com.br compila reclamações de consumidores de produtos e serviços do Brasil inteiro. Fiz uma breve pesquisa sobre a relação de alguns fabricantes de motocicletas com as reclamações de seus clientes e consegui algumas informações que possam ajudar alguns leitores a ter uma visão de pós-venda antes de comprar uma moto.

E antes que me perguntem sobre Honda e Kawasaki, elas não estão citadas na pesquisa, pois o reclameaqui.com estava “coletando dados” destas duas marcas. Procurei também por reclamações contra a Harley-Davidson que agora tem representação oficial no Brtasil, mas não constava reclamação alguma quanto à marca. Neste caso, pode ser que hajam reclamações contra o antigo representante, o Grupo Izzo. Mas aí não seria necessariamente contra a Harley-Davidson.

As mais reclamadas

Quanto ao número de reclamações, a Dafra perdeu disparado com 1032. Por ser relativamente  nova no mercado, ainda careça de know-how quanto ao atendimento pós-venda. Talvez tenha perdido para a Kasinski por vender um volume maior de motocicletas e por consequência ter também um número maior de reclamações. A Yamaha tem o segundo maior número de reclamações com 862, mas o fato de vender um volume maior de unidades justifica este número?

Problemas vs. Soluções

Tudo bem! Temos que levar em conta que levar em conta, o fato de que nenhum produto é a prova de defeitos. Então se os problemas existem, as soluções devem existir na mesma proporção (pelo menos em tese). No gráfico abaixo, você confere quais os níveis de atenção as marcas dão às reclamações dos clientes e qual o percentual de resolução dos defeitos apresentados elas conseguem atingir.

Mas o fato de ouvir as reclamações de seus consumidores, não significa que as marcas são eficientes na hora de resolver os problemas apresentados. Prova disto, é a Yamaha que alcança quase 100% na hora de atender as reclamações de seus clientes, mas que tem o pior índice de solução para tais problemas. E justiça seja feita: se a Dafra, como foi dito lá em cima tem o maior número de reclamações, é a que também consegue o melhor desempenho na hora de solucionar as reclamações. Aqui BMW e Suzuki são apenas razoáveis em ambos os critérios. A Kasinski que sempre é apedrejada no pós-vendas, faz por merecer. É que menos se preocupa em atender as reclamações e tem um péssimo índice de resolução dos problemas.

Quanto tempo vai demorar?

Os problemas existem, são ouvidos e (às vezes) solucionados. Mas quanto tempo demora, desde a reclamação e a resolução do problemas? Neste ponto, a Yamaha volta ao topo com um prazo médio de quase 10 dias. A que mais demora em resolver a insatisfação de seus clientes é a Kasinski que tem um tempo médio de 68 dias para trazer uma solução. Aqui a Dafra também deixa a desejar: 55,3 dias em média.

E o que diz o consumidor?

No site, o consumidor pode pontuar a empresa de acordo com seu desempenho em resolver as reclamações. Segundo os reclamantes, Dafra e BMW são as melhores (4,95 e 4,44 pontos, respectivamente), Suzuki não fica muito atrás, enquanto Kasinski e Yamaha amargam o pior desempenho com notas abaixo dos 3 pontos. Quanto a voltar a consumir produtos da marca, BMW e Dafra alcançaram o melhor desempenho com quase metade dos reclamantes alegando que voltariam a consumir produtos destas marcas. Kasinski ficou na lanterna de novo com apenas 27,8% dos consumidores voltando a uma de suas concessionárias para comprar novamente. Suzuki e Yamaha ficam na média. Mas todos estes números poderiam ser melhores!

Conclusão!

Marcas novatas como a Dafra, podem ser uma boa opção na hora do pós-venda. O número de reclamações mostra que você pode vir a ter problemas com algum produto desta marca, mas por outro lado, terá 75% de chance de ter sua reclamação resolvida, nem que demore quase dois meses.

Uma marca premium como BMW deveria ter um melhor nível de atendimento às reclamações de seus clientes. O percentual de reclamações solucionadas é inaceitável para uma marca que vende motocicletas que chegam a custar 100 mil reais. Metade dos clientes voltariam a comprar uma BMW, mas a outra metade não!

A Suzuki ouve seus clientes, tem um índice razoável de solução de problemas, mas exigem um prazo longo para resolvê-los: pouco mais de um mês. Apenas 37% dos reclamantes da marca voltariam a uma loja da Suzuki.

Uma marca consolidada como a Yamaha deveria ter um desempenho melhor nesta pesquisa, pois perdeu até para a Kasinski na hora de solucionar os problemas de seus clientes, que lhe deram uma péssima nota de avaliação: 2,66. Tem apenas 16% a menos de reclamações do que a Dafra. As únicas vantagens que um consumidor insatisfeito terá com a Yamaha, é a de que sua reclamação terá 98% de chances de ser lida e que será atendida em aproximadamente 10 dias. Mas se levarmos em conta que menos da metade das reclamações são solucionadas, a Yamaha é uma péssima opção.

Considerações finais

Esta pesquisa envolve apenas reclamações feitas no site Reclameaqui.com.br, ou seja, é apenas uma pequena mostra de clientes insatisfeitos e soluções alcançadas. Deve-se levar em consideração que tantas outras reclamações podem estar em andamento junto a tribunais e conselhos de proteção ao consumidor, bem como tantas outras reclamações podem alcançar soluções pelas marcas e fabricantes aqui citados.

Valor do m² em São Paulo

Valores referentes ao preço médio do metro quadrado para apartamentos novos em São Paulo e região metropolitana.

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fonte: EMBRAESP – Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio, em “Revista Qual Imóvel”, ed. 106.

 

Dinheiros do Brasil (1942 / 1967) – Parte 1

Com tanta inflação, o Brasil teve a oportunidade de ter várias moedas ao longo de sua história. Abaixo, estão as cédulas emitidas no ano de 1942 que iam de 1 cruzeiro a 10 mil cruzeiros. Vinte e cinco anos depois, em 1967, a inflação dos preços força o governo a lançar uma nova moeda, o Cruzeiro Novo (NCr$), que mantinha as mesmas cédulas de 1942, mas cortava três zeros de seu valor. As cédulas em sí, eram exatamente as mesmas,  mas recebiam um carimbo indicando o nome da nova moeda e seu valor atualizado. No layout propriamente dito, apenas a coloração de algumas notas mudaram.

Confira a série completa de Dinheiros do Brasil

Quanto um carro antigo custaria nos dias de hoje

Quando escrevi o artigo sobre a Cronologia da Puma, inclui uma tabela com o preço de alguns modelos da época. Isto me fez imaginar o quanto carros daquela época custariam nos dias de hoje e fui pesquisar. O resultado é a tabela que você confere logo abaixo. Ela trás o valor de 22 modelos com seus preços em maio de 1979* e seus preços atualizados nos dias de hoje (2011). É interessante perceber que os carros não eram tão mais caros do que são hoje, mas se levarmos em conta o que ofereciam em termos de tecnologia, conforto e segurança, tinham sim um preço “desonesto”.

Comprando o tão sonhado  carro

Dizem que hoje em dia é muito mais fácil ter um carro do que a trinta anos atrás. Os preços eram mais ou menos iguais a hoje e o salário mínimo da época, era até um pouco mais generoso, mas o financiamento limitado a até 12 vezes era o que dificultava a compra. Neste panorama, comprar um Fusca significava arcar com parcelas mensais de R$ 1.883. Ou desembolsar o equivalente a R$ 9.116 todo mês para pagar cada parcela de um Ford Landau zerinho. Hoje em dia, o financiamento chega a 60 meses (ou mais) e a parcela de um carro zero fica em torno de 700 reais, o que torna o automóvel um bem mais acessível à maioria dos trabalhadores, mas mesmo assim, a modernização da fabricação não garantiu a diminuição do preço final.

Entenda a tabela

  • A coluna laranja “preço” mostra o valor dos modelos em Cr$ (Cruzeiros) em maio de 1979*
  • A coluna com círculos laranjas “salários” mostra quantos salários mínimos da época eram necessários para comprar determinado modelo em 1979, como por exemplo: para comprar um Maverick GT, o cidadão deveria juntar 75 salários mínimos;
  • A coluna azul “preço” mostra o preço dos carros nos dias atuais em reais;
  • A coluna com círculos azuis “salários” mostra quantos salários mínimos de hoje seriam necessários para comprar determinado modelo;
  • As estrelas à direita da tabela, mostram o valor do salário mínimo atual: R$ 545,00 (em azul); do salário mínimo em maio de 1979: Cr$ 2.268,00 (em laranja) e do salário mínimo de 1979 atualizado em reais (em rosa).
  • O retângulo vermelho mostra a inflação entre 1979 e 2011.
Este estudo serve para mostrar que pouca coisa mudou em relação ao preço final ao consumidor: tudo continua caro, inclusive, um trabalhador hoje precisaria juntar cerca de 41 salários mínimos atuais para comprar um Fusca, enquanto um cidadão lá em 1979 juntaria “apenas” 37 salários mínimos da época.

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Fontes: http://www.uel.br/proaf/informacoes/indices/salminimo.htm
http://almanaque.folha.uol.com.br/dinheiro30.htm
http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/03/bc-sobe-previsao-de-inflacao-para-2011.html
http://www.igf.com.br/calculadoras/conversor/conversor.htm
http://www.forumnow.com.br/vip/mensagens.asp?forum=131836&grupo=247369&topico=3019748&pag=2&v=1

Porque pagamos mais

O brasileiro é antes de tudo um forte. Somos históricamente sabotados pelo governo financeira e socialmente. Como se não bastassem os baixos salários e os impostos exorbitantes, ainda temos que enfrentar um problema muito mais profundo.

 

O Ciclo Virtuoso de Ford¹

Henry Ford é mundialmente conhecido por ter popularizado a fabricação de veículos em massa num método de linha de montagem. Mas sua genialidade foi muito além disso. O Ciclo Virtuoso de Ford foi uma sacada que Henry Ford teve ao perceber que pagando altos salários para seus empregados, ele estaria criando condições de vendas de seus produtos, ampliando sua atuação. A lógica é a seguinte:  1) Paga-se altos salários para seus empregados 2) Estes empregados consomem mais 3) Com o aumento do consumo, existe aumento na produção 4) Isto gera lucros que por sua vez garante o pagamento de altos salários fechando o ciclo.

Porque não funciona no Brasil?

Pela lógica do Ciclo Virtuoso de Ford, bastaria pagar altos salários para que o povo brasileiro começasse a consumir tudo o que sempre sonhou e gerasse lucros magníficos para empresas instaladas em nosso país e tudo seria maravilhoso. Mas isto se não tivessemos em nosso caminho um governo incompetente e se nós mesmos fossemos mais evoluidos como consumidores. Em primeiro lugar, os impostos criminosos que pagamos não são os únicos vilões pelo baixo poder de compra do brasileiro. O problema é mais complexo e profundo do que isto.

Voltando ao Ciclo Virtuoso de Ford se este modelo fosse seguido por aqui, o ciclo seria quebrado no consumo, pois com um alto salário o trabalhador passaria a investir em escolas particulares para os filhos, em convênios de saúde mais completos e em segurança particular, ou seja, ao invés consumir bens de consumo passaria e investir este salário em itens que o governo deveria fornecer gratuitamente. O consumidor continuaria pagando duas vezes por infra-estrutura: a primeira através de impostos que deveriam ser revertidos em bem feitorias e paga na segunda vez quando apela para sistemas particulares de ensino, saúde e segurança (entre outros). Deste modo, o lucro das empresas ficaria comprometido com o não retorno do dinheiro.

Gastar, gastar e gastar!

Por outro lado, os altos salários promoveriam um boom de consumo, o que causaria inflação pela incapacidade das indústrias de fabricar produtos que atendessem à demanda. isto porque o brasileiro tem a cultura de investir seu salário em bens de consumo. Não é raro ver pessoas assalariadas com dois ou três celulares na mão, mesmo que sem necessidade de tê-los. Em paises mais desenvolvidos, investir boa parte do salário em ações da bolsa ou em previdência privada é algo comum, o que não implica na equação “ALTOS SALÁRIOS = ALTO CONSUMO”.

Gostamos de pagar gato por lebre

O consumidor brasileiro aceita comprar produtos defasados e com qualidade inferior aos de outros países por preços muito mais altos. E como foi dito, a culpa não é só dos impostos, é também dos fabricantes que imbutem altas taxas de lucro nos preços finais e por último, a culpa é do consumidor que com não sabe direito avaliar o preço do produto que está comprando, ele apenas avalia se o valor das parcelas cabem em seu orçamento, se positivo ele compra! Já consumidores europeus, norte-americanos ou japoneses, por exemplo, só compram um carro popular, se ele valer o preço de um carro popular. Um Honda City jamais seria comprado nos Estados Unidos pelos R$ 55 mil que pagamos por aqui. Isto porque simplesmente aceitamos pagar gato por lebre.

E então ?

Só seremos consumidores respeitados e com poder de compra justo, quando o Brasil for um “estado previdência” que garante infra-estrutura básica de qualidade para sua população; Quando pagarmos impostos mais justos; E quando aprendermos a consumir com consciência… mas aí é mais fácil ir morar na Suíça.

Crônicas Farmacianas

Só um balconista de farmácia sabe o que é ser um balconista de farmácia. E haja paciência!!!


Capítulo 1: Tem desconto?

Quando você vai abastecer seu carro no posto de gasolina, você não pede desconto ao frentista. Mas todo mundo que vai à farmácia acha que tem direito a desconto nos preços: o aposentado quer desconto no medicamento do coração, o garotão bombado quer desconto no aminoácido, a gatinha quer desconto no anticoncepcional e o avarento quer desconto numa cartelinha de analgésico. Isso mesmo! Tem gente que pede desconto numa cartela que custa R$ 1,20! Eu sinto vontade de abrir minha carteira e pagar a cartela de analgésico para o cidadão! Sim, porque se o cara pede desconto numa cartelinha de medicamento, é sinal de que está passando fome! Concordo que alguns medicamentos custam os olhos da cara: 120, 180, 300 reais, mas pedir desconto em qualquer coisa, faça-me o favor. Parece que o povo anda viciado neste negócio de desconto, é uma espécie de compulsão! Até em talco para chulé eles pedem o bendito desconto! E olha que o povo mais bem vestido é o mais chorão! Tem cliente que entra na loja e a primeira coisa que ele fala (nem responde ao seu bom dia) é perguntar com um ar tenso e ansioso: “TEM DESCONTO?”

Capítulo 2: Esquecí o nome.

Mas o que me irrita mais do que o cliente compulsivo por desconto é o cliente com aminésia. O fulano entra na farmácia e solta: ” eu quero um remédio, mas esquecí o nome! Qual é mesmo?” – Como é que eu vou saber, meu senhor? Aí começa aquela ladainha: “É um comprimidinho branco, numa caixinha branca, quadrada com uma tarjinha vermelha, você não sabe?” Alguém aí já viu quantas caixinhas brancas e quadradas tem dentro de uma farmácia? E eles pensam que nós balconistas abrimos caixa por caixa para gravar a cor e o formato de todos os comprimidos, para quando eles esquecerem, nós possamos lembrá-los! Te dou uma dica, meu amigo, minha amiga: quando você não se lembrar do nome do medicamento que você quer, não và à farmácia! Só vá quando tiver certeza do que quer! Não somos adivinhos!

Capítulo 3: Lá tá mais barato

Esta aqui é uma situação muito próxima à mostrada no Capítulo 1: só que aqui o cliente pede desconto, mas o desconto que ele quer! O camarada ou a madame chega e pergunta o valor de um medicamento. Você então, singelo e prestativo balconista anuncia, por exemplo: “-De 28 reais sai por 22 reais”. E é aí que o abençoado lança a pérola: “- Mas não tem desconto?” – Nesta hora não dá vontade nem de responder, mas mesmo assim você tem que dizer: “Já está com desconto” (óbviamente). Pois o cliente ainda tem a segunda bala na agulha que é ainda mais letal: “Ah, mas na Tonga da Mironga Farma, tá mais barato! Mágina!, Paguei 16 reais lá! “. Claro que isso é dito no mais puro tom de indignação! E etnão pergunto a vocês, se o corno encontrou um preço tão bom lá na farmácia da P.Q.P., porque não compra lá? E nesta situação é fácil de saber se o belo está mentindo: se ele agradecer e ir embora, é sinal de que está falando a verdade, mas se insistir e arrumar briga com você te forçando a fazer o preço que ele quer, é forte indicio de que ele está blefando e tentando por o preço no seu produto.

Capítulo 4: A fauna  clientesca

Cliente bom: na minha opinião cliente bom, é aquele que entra na drogaria, pede o medicamento que quer, vai para o caixa, paga e vai embora, como qualquer pessoa normal.

Cliente fujão: é aquele que fica rodando feito um perú tonto pela perfumaria e quando você pergunta se pode ajudá-lo em alguma coisa, ele te olha com um olhar assustado e sai apressadamente da farmácia como se tivesse se deparado com um monstro (você).

Cliente indiferente: este entra na farmácia e também fica rodando feito um perú tonto procurando sabe-se lá o quê nas gôndolas. Você, balconista o aborda e pergunta se pode ajudá-lo. Ele então continua sua busca sem mesmo olhar para sua cara nem falar nada, ou seja, você não existe. Neste caso, afaste-se dele o mais que puder, pois mais cedo ou mais tarde ele vai se dar conta de que é incapaz de encontrar o que está procurando então virá pedir sua ajuda, mas deixe que ele venha até você.

Cliente herói: é o panaca que entra na farmácia com a namoradinha. Ela pede um anticoncepcional (em 90% das vezes) e quando você traz a caixa do medicamento o herói toma a frente  e pede desconto para mostrar que é um cara de atitude, o verdadeiro herói das donzelas férteis.

Cliente especialista: este acha que sabe mais do que você. Diz o nome do medicamento erradamente e erra ainda mais feio na dosagem. E se você for tentar corrigí-lo, ele bate o pé e solta: ” Que isso, eu uso este medicamento há vinte anos! “. Não é necessáriamente hipocondriaco, mas gosta de mostrar que entende. Mas como eu disse, ele na verdade não sabe que não sabe.

Cliente orgulhosão: ele te trás uma receita de cloridrato de ciprofloxacino 500 mg. Você então traz o dito cujo para ele e anuncia o preço: 25 reais. O orgulhosão então estufa o peito e diz: ” Genérico, não! Eu quero o original! Eu não tomo genérico! “ É um dos momentos de desforra que o balconista tem. Ah é? Quer o original? Lá vem o Cipro 500 mg por 147 reais com os mesmos 14 comprimidos. É nessa hora que você vem quem tem bala na agulha para manter o orgulho e quem tem que baixar a bola e comprar o genérico ( 95% baixa a bola e compra o genérico).

Cliente lobo em pele de carneiro: geralmente são senhores idosos e muito gentis. Mas quando o balconista não faz o preço que ele quer, deixa a mascra cair e parte para a ignorância com direito a xingamentos à senhora sua mãe e tremiliques de nervoso (alguns salivam pelo canto da boca). Estes te acusam de tentar enganá-los.

Cliente patrão: geralmente são aqueles senhores bem vestidos com voz de fumantes e pinta de empresários. Entram e vão dando ordens a você: “Me vê aí um Crestor de 10 mg e me faz o preço da Tonga da Mironga porque compro lá mais barato!” Quando é contrariado (não recebe o desconto que exige),  geralmente não cria caso: te olha de cima com ar de reprovação, vira as costas e vai embora sem falar nada.

Cliente campainha: este aparece geralemente quando tem apenas um atendente na farmácia e não percebe sua presença. Então ao invés de chamar o balconista, o cliente campainha fica tamborilando as unhas  ou as chaves do carro no balcão. além de quando o balconista está de costas e o inteligente pergunta: “Não tem ninguém pra atender?” — Não senhora, não tem ninguém! Eu sou apenas uma ilusão de ótica, uma miragem…o Ninguém não pode atendê-la, pois ele está jantando.

Cliente controle remoto
Amigo balconista, sabe quando você está trabalhando no domingo a tarde, com aquela puta preguiça? Então chega aquele cliente mala pedindo algo da perfumaria. Mas por sorte, o produto está numa gôndola bem em frente ao balcão onde você está. Você então ativa o “cliente controle remoto”. É fácil! Você se debruça no balcão, aponta para o produto na gôndola e diz: “é aquele frasquinho ali, senhor!” É claro que ele não vai enxergar de primeira, então você começa a guiá-lo: ” mais à esquerda! Na prateleira de cima! Agora mais a direita, ao lado da caixinha verde! Isso! O senhor está apontando para ele!”. Claro que na maioria das vezes você tem que sair do balcão e ir pegar, mas é interessante guiar um cliente remotamente!

Capítulo 5: Tem recarga?

A cidadã “canadense” entra na farmácia  (pelo naipe você já percebe o que ela quer) e bingo! Ela pergunta: ” Tem recarga? ” Sim tem recarga de celular, minha senhora. Mas aí o abençada começa a remexer na bolsa (detalhe você está sozinho da farmácia e tem mais clientes no balcão bufando) e depois de algum tempo puxa uma agenda maltrapilha e diz: “é pra cinco telefone, dois Vivo, dois TIM e um Claro” é nessa hora que seus ombros caem e sua feição demonstra cansaço, porque aí vai mais uma jornada para a senhora ajustar o óculos de leitura na cara e acertar os botões da maquineta para digitar todos os números. Tudo bem que cada recarga deve ser feita e cobrada indivudualmente e que o impressora solta entre 3 e 5 vias em cada recarga. Mas tudo bem, você tem o turno inteiro para atendê-la! A cliente com dor de dente que vai comprar um anti-inflamatório, pode muito bem esperar o termino da recarga!

Problem, cliente?