Quanto um carro antigo custaria nos dias de hoje

Quando escrevi o artigo sobre a Cronologia da Puma, inclui uma tabela com o preço de alguns modelos da época. Isto me fez imaginar o quanto carros daquela época custariam nos dias de hoje e fui pesquisar. O resultado é a tabela que você confere logo abaixo. Ela trás o valor de 22 modelos com seus preços em maio de 1979* e seus preços atualizados nos dias de hoje (2011). É interessante perceber que os carros não eram tão mais caros do que são hoje, mas se levarmos em conta o que ofereciam em termos de tecnologia, conforto e segurança, tinham sim um preço “desonesto”.

Comprando o tão sonhado  carro

Dizem que hoje em dia é muito mais fácil ter um carro do que a trinta anos atrás. Os preços eram mais ou menos iguais a hoje e o salário mínimo da época, era até um pouco mais generoso, mas o financiamento limitado a até 12 vezes era o que dificultava a compra. Neste panorama, comprar um Fusca significava arcar com parcelas mensais de R$ 1.883. Ou desembolsar o equivalente a R$ 9.116 todo mês para pagar cada parcela de um Ford Landau zerinho. Hoje em dia, o financiamento chega a 60 meses (ou mais) e a parcela de um carro zero fica em torno de 700 reais, o que torna o automóvel um bem mais acessível à maioria dos trabalhadores, mas mesmo assim, a modernização da fabricação não garantiu a diminuição do preço final.

Entenda a tabela

  • A coluna laranja “preço” mostra o valor dos modelos em Cr$ (Cruzeiros) em maio de 1979*
  • A coluna com círculos laranjas “salários” mostra quantos salários mínimos da época eram necessários para comprar determinado modelo em 1979, como por exemplo: para comprar um Maverick GT, o cidadão deveria juntar 75 salários mínimos;
  • A coluna azul “preço” mostra o preço dos carros nos dias atuais em reais;
  • A coluna com círculos azuis “salários” mostra quantos salários mínimos de hoje seriam necessários para comprar determinado modelo;
  • As estrelas à direita da tabela, mostram o valor do salário mínimo atual: R$ 545,00 (em azul); do salário mínimo em maio de 1979: Cr$ 2.268,00 (em laranja) e do salário mínimo de 1979 atualizado em reais (em rosa).
  • O retângulo vermelho mostra a inflação entre 1979 e 2011.
Este estudo serve para mostrar que pouca coisa mudou em relação ao preço final ao consumidor: tudo continua caro, inclusive, um trabalhador hoje precisaria juntar cerca de 41 salários mínimos atuais para comprar um Fusca, enquanto um cidadão lá em 1979 juntaria “apenas” 37 salários mínimos da época.

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Fontes: http://www.uel.br/proaf/informacoes/indices/salminimo.htm
http://almanaque.folha.uol.com.br/dinheiro30.htm
http://g1.globo.com/economia/noticia/2011/03/bc-sobe-previsao-de-inflacao-para-2011.html
http://www.igf.com.br/calculadoras/conversor/conversor.htm
http://www.forumnow.com.br/vip/mensagens.asp?forum=131836&grupo=247369&topico=3019748&pag=2&v=1

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Carros retrô

A onda do momento é o retrô. Fotos, roupas, acessórios, mobílias, eletrônicos… tudo com aquele design remetendo ao passado. No mundo dos carros esta tendência vem acontecendo desde 1997 com o New Beetle da Volkswagen e ganhou ainda mais força agora nos anos 2000. Confira os modelos retrô mais aclamados pelo público e pela crítica.

Lançado em 1998 sobre a plataforma do Golf IV, o New Beetle foi uma reedição do antigo Fusca lançado na década de 1950. Ao contrário do modelo original criado para ser um carro popular, o New Beetle nasceu para ser um “brinquedo de luxo”. Se o design do Fusca foi eficiente para torná-lo um ícone e mantê-lo em produção por mais de 50 anos , o mesmo aconteceu com seu sucessor que recebeu um retoque visual apenas em 2006, oito anos após seu lançamento. Agora em 2011, o New Beetle entra numa nova geração.

Conhece o Chrysler C18? Nem eu! Ele não foi nenhuma peça pop como o Fusca, mas no ano 2000 recebeu uma releitura moderna, o PT Cruiser. O design original foi tão preservado que ao olhar para o PT Cruiser não tem como não ligá-lo à década de 1930. Neste caso, o sucessor fez mais sucesso do que seu ancestral.

O Fiat 500 pode ser considerado o “Fusca italiano”, onde foi criado para ser um carro acessível no pós-guerra. Com um design carismático, diminuto e motor traseiro, ele escreveu sua história e em 2007 a Fiat resolveu trazê-lo de volta. Mas assim como aconteceu com o New Beetle da Volkswagen, o Cinquecento voltou como um sofisticado carrinho de luxo: o desenho original recebeu traços modernos, o motor passou para a frente e o tamanho espartano foi preservado… e o carisma também!

Lançado em fins da década de 1950, o Mini é outro de plebeu que se tornou aristocrata.  Na época de seu lançamento a crítica especializada não entendeu o porquê de um carro tão diminuto, mas de qualquer forma seu conceito (pequeno por fora, grande por dentro) era uma previsão bem acertada da Morris (sua fabricante na época) de como viria a ser um automóvel urbano no futuro. O design e o carisma do modelo foi tão bem sucedido que a primeira geração foi fabricada até 2000 quando passou por uma profunda reformulação que resultou na geração atual. Seu sucesso começou ainda na década de 1960 quando fez sucesso em provas de rali e continuou quando se tornou o carro do Mr. Beam na série homônima da TV inglesa. Após sua reedição em 2000 se tornou objeto de desejo e ganhou varias versões desde então.

Tido como o primeiro pony car da história, o Ford Mustang fez sucesso ao redor do mundo e se tornou objeto de desejo de marmanjos do mundo inteiro. Com o passar dos anos, recebeu várias reestilizações de acordo com a época vigente, mas nenhuma foi tão impactante quanto a 5ª Geração de 2005 que resgatou as linhas do primeiro Mustang e que reforçou a onda retrô entre os carros norte-americanos.

Se o Ford Mustang ganhou uma reedição “século 21”, porque seu arquirrival não ganharia? Pois a Chevrolet foi à luta e apresentou o New Camaro, que não só a ajudou a sair da crise financeira que vinha passando, mas causou grande impacto na concorrência e se tornou ícone instantâneo entre os apreciadores de esportivos no mundo todo. A receita foi seguida: manter o design original, mas com o design arrojado do século 21.

Aqui é só especulação, mas a Volkswagen apresentou o conceito Bulli, uma releitura atual da velha Kombi. Dependendo da reação da crítica e do público, pode a vir se tornar um carro de nicho, assim como aconteceu com o New Beetle. Saudosistas do mundo inteiro agradeceriam.

O Citroën 2CV é tão feio que chega a ser bonito, e se não foi sucesso de crítica por seu design… estranho, vendeu quase 9 milhões de unidades enquanto foi produzido (de 1948 a 1990) e isso seria um bom argumento para a Citroën entrar na onda da ressuscitação automotiva e trazer o pequeno 2Cv de volta. O carro-conceito do que seria o 2CV do século 21 já foi mostrado, só falta produzir.

 

Logomarcas automotivas

O símbolo da Alfa Romeo presta homenagem à cidade italiana de Milão, e reúne tanto a bandeira da cidade (a parte com a cruz vermelha) quanto o símbolo da família real milanesa (a cobra devorando o homem, representado em vermelho). As quatro argolas da marca representam a Auto Union, conglomerado alemão que reunia as fabricantes Audi, Horch, DKW e Wanderer. Os aros são entrelaçados justamente para simbolizar a união entre essas marcas.

Acreditava-se que a logomarca da BMW simbolizava uma hélice de avião, mas em 2010 a empresa tornou oficial a informação de que a logomarca representa apenas as cores da bandeira da Baviera, região onde fica a sede da marca.


A Chevrolet tem esse nome em homenagem ao piloto suíço Louis Chevrolet, um de seus fundadores. A origem da logomarca é uma espécie de lenda: William Durant, outro fundador da empresa teria visto o desenho num hotel de Paris e resolveu utilizá-lo para a marca.

O “duplo chevron”, símbolo da Citroën, não é uma patente militar. Na verdade, representa uma engrenagem helicoidal, invenção de André Citroën, fundador da marca.

O símbolo da Dodge é um carneiro montanhês. Ele foi criado pelo escultor Avard T. Fairbanks, que trabalhava na Universidade de Michigan em 1929. Fairbanks queria trocar seu carro e, para ganhar um veículo novo, ofereceu seus serviços à Chrysler, detentora da marca.

O cavalo era originalmente o símbolo do Conde Francesco Baracca, um lendário ás da força aérea italiana durante a I Guerra Mundial, que o pintou na lateral de seus aviões. Baracca morreu muito jovem em 19 de Junho de 1918, abatido após 34 duelos vitoriosos e muitas vitórias em grupo, tornando-se assim um herói nacional. Em 17 de Junho de 1923, Enzo Ferrari ganhou uma corrida no circuito de Savio em Ravenna onde conheceu a Condessa Paolina, mãe de Baracca. A Condessa pediu que ele usasse o desenho de um cavalo nos seus carros, sugerindo que isso lhe daria boa sorte.

Ferruccio Lamborghini, fundador da marca italiana de carros esportivos, era fanático por touradas. O resultado de tamanha paixão é visto na logomarca daLamborghini e no nome dos seus carros, que homenageiam touros.

O famoso tridente da Maserati representa o deus dos mares Netuno, símbolo da cidade de Bolonha, sede da marca.

A mais antiga fabricante de automóveis do mundo adota a estrela de três pontas; o símbolo da Mercedes-Benz representa a terra, o ar e o mar.

Mitsubishi significa “três diamantes” em japonês. Com o símbolo, a marca — que atua em diversos ramos da indústria, como o de produtos eletrônicos — sinaliza o “domínio” sobre o ar, a terra e o mar, além de salientar a durabilidade de seus produtos.
O leão da Peugeot começou a ser utilizado a partir do final da Segunda Guerra Mundial. O animal é o símbolo da região de Franche-Comté, origem do clã que dá o nome à fabricante.

A logomarca da alemã Porsche é um brasão que representa o Estado alemão de Baden-Württenberg. É nele que fica a cidade de Stuttgart, sede da empresa, que também adota um cavalo empinado em seu símbolo.

A logomarca da francesa Renault, em formato de losango, simboliza um diamante, para simbolizar o prestígio e a sofisticação dos veículos da marca.

A marca Skoda, da República Tcheca, tem como logomarca uma cabeça de índio estilizada, com cocar e flecha. O significado é nebuloso, mas a “asa” do logo pode ser interpretada como o progresso técnico da marca, e a “flecha”, a tecnologia.

O símbolo da SsangYong representa os dragões gêmeos da mitologia coreana, os quais são criaturas associadas a força, realeza e poder.

Subaru é o nome japonês da constelação de Plêiades. O grupo de estrelas está representado na logomarca da empresa.

A logomarca da Volkswagen, empresa criada na Alemanha na década de 1930, reúne as letras V (de Volks, povo) e W (de wagen, carro) usando um estilo gráfico bastante típico da época.A palavra Volvo significa “eu rodo” em latim. O símbolo da marca é o mesmo do elemento ferro, em homenagem à indústria siderúrgica sueca.

A Yamaha começou sua história fabricando instrumentos musicais, daí seu símbolo com dois diapasões (ferramenta utilizada para afinar instrumentos) sobrepostos. Quando passou a fabricar motocicletas, manteve a logomarca então utilizada na divisão musical.

Potência & torque

Você aí que tem o costume de ler revistas ou visitar sites sobre automóveis e motocicletas, já deve ter lido lá no meio das matérias, o cara escrever sobre a potência e o torque do veículo. Mas qual a diferença? Quais fatores contribuem para um motor ter mais torque ou mais potência?

POTÊNCIA

Segundo a física clássica: “potência é aquantidade de energia liberada por uma fonte durante uma unidade de tempo”. Deixando aquele monte de termos técnicos e frases indecifráveis de lado, vamos às analogias: Imagine que você está numa pista de atletismo e que irá disputar uma prova de 100 metros rasos contra Usain Bolt. Advinhe quem vai ganhar? Bolt, eu acho. E tudo porque durante aquele ontervalo de tempo entre o disparo da largada e a chegada, ele conseguirá liberar mais energia (potência) do que você. E ele consegue isto, graças à sua musculatura.

Motor BMW SauberNo mundo dos automóveis e motocicletas, acontece o mesmo, ganha aquele que tiver o motor mais capacitado, mais potente. Mas neste caso, quem garante a capacidade dos motores, não são músculos, mas sim cilindros, capacidade volumétrica (cilindrada) e principalmente giros do motor. Esta última afirmação é comprovada pela Fórmula 1. Quando a FIA reduziu o “tamanho” dos motores para 2.4 litros e restringiu o número de cilindros a oito, os engenheiros das equipes correram buscar uma forma de se conseguir mais potência com estes motores menores, e a solução, foi aumentar os giros dos motores. Mais RPM = maior potência. Os motores chegaram a incríveis 20.000 rpm e a potência voltou à marca dos 780 hp. Mas em 2009, a FIA restringiu os giros a “apenas” 18.000 rpm. Veja na imagem abaixo, a comparação entre dois carros com motores bem semelhantes:

Mais giros, mais potência

Ambos têm motores com 16 válvulas de abertura variável, mas a vantagem do Honda está em sua capacidade de girar mais vezes por minuto (quase o dobro) e assim gerar  maior potência (também quase o dobro). Ainda não se convenceu? Então vamos à fórmula física:

, que traduzida diz que potência é igual ao torque (T) multiplicado pela rotação do motor (n) sobre 60.75. Ou seja, a potência depende do torque (força) e rotações do motor.

TORQUE

Se potência é a velocidade com que um trabalho é realizado (energia x tempo), torque é a quantidade de força aplicada a este trabalho. A física diz: “o torque é definido a partir da componente perpendicular ao eixo de rotação da força aplicada sobre um objeto que é efetivamente utilizada para fazer ele girar em torno de um eixo ou ponto central, conhecido como ponto pivô ou ponto de rotação”. Ou seja, é a intensidade da força aplicada a uma alavanca que faz um eixo girar. E é o que acontece nos motores: a mistura ar+combustivel explode no cilindro, joga o pistão para baixo e este faz o virabrequim girar e este transmite esta força para as rodas. Veja isto na animação ao lado: a força (torque) que o pistão  irá entregar ao virabrequim vai depender de duas coisas: 1) da intensidade da explosão na câmara de combustão e do peso do próprio pistão.

Isto explica o fato de existirem tantas arquiteturas diferentes para os motores e como isto influencia em seu desempenho. Veja a figura abaixo a comparação entre duas motocicletas com motores bem diferentes:


Agora considere alguns fatos:

1) a KTM apesar de ter um motor 50% maior (990 cc contra 600 cc), mas gera menos potência (104 hp contra 133 hp) do que a  Yamaha.

2) A Yamaha é mais potente, mas tem 30% menos torque do que a KTM (7 kgmf contra 10,6 kgmf)

3) Fora deste contexto, podemos incluir ainda que motores equipados com turbocompressores têm boa faixa de torque a baixos giros.

E agora considere as respostas para estes fatos:

1) a KTM tem um motor maior , mas com volume distribuido em apenas 2 cilindros de 495 cc cada. Já a Yamaha tem motor de 600 cc dividido em 4 cilindros com 150 cc cada um. Se considerarmos que os pistões são feitos do mesmo material, chegaremos à conclusão de que um pistão de 495 cc da KTM é bem mais pesado do que um pistão de 150 cc da Yamaha e sendo assim, o maior peso do cilindro resultará em maior inércia, menos giros por minuto, ao contrário dos cilindros pequenos e leves da Yamaha, que girarão mais rápido e garantirão maior potência.

2) se por um lado os pistões mais pesados da KTM representam menos giros e menor potência, por outro lado este mesmo peso irá resultar em maior força (maior torque). É só imaginar o pistão como um martelo que exerce um golpe, e óbviamente um martelo feito com 495 cc de alumínio golpeará com mais força do que um martelo (pistão) de 150 cc de alumínio. É por isto que o torque da KTM aparece a apenas 6.750 rpm e a Yamaha tem que gritar a 14.500 rpm para mostrar sua força, porque seus martelos (pistões) são muito leves.

3) No caso dos motores turbo, o maior torque se dá por conta da explosão mais intensa dentro da câmara de combustão. O turbocompressor comprime mais ar-combustível na câmara e com isto a explosão é mais intensa, repelindo o pistão com mais força (torque). Os motores turbo-diesel seguem as duas teorias a do peso do pistão (motores diesel tem pistões mais reforçados e pesados devido à maior temperatura em que trabalham) e também à maior intensidade das explosão da combustão, já que trabalham com turbocompressor e maior taxa de compressão para gerar ignição sem uso de velas.

POTÊNCIA DO SER HUMANO

Calma, não tem a ver com aquela potência relacionada ao Viagra, mas à potência em watts que um corpo humano pode gerar: em média 100 W, variando entre 85 W (0,12 hp) durante o sono e 800 W (1,07 hp) durante prática de esportes. E ciclistas profissionais tiveram medições de 2000 W (2,68 hp) de potência realizada para curtos períodos de tempo.

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Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Formula_One

http://carros.uol.com.br/ultnot/2010/03/16/toyota-corolla-20-supera-o-18-em-muito-mais-que-02.jhtm

http://www.supercars.net/cars/3216.html