Motocicletas e tecnologias alternativas

As válvulas acionadas por sistema desmodrômico se diferenciam das convencionais por ter seu retorno feito por meio de eixos de comando, ao invés das tradicionais molas. A vantagem das válvulas desmodrômicas é evitar a “flutuação das válvulas”, fenômeno que ocorre em altos giros, quando as molas não conseguem acompanhar o ritmo de combustão do motor e não conseguem retornar a válvula para a posição fechada. Isto gera perde de potência e em alguns casos a quebra das válvulas. No sistema desmodrômico isto não acontece, pois os eixos de comando que retornam as válvulas garantem o ciclo completo no movimento das válvulas. Apesar de ter sido popularizado pelas motocicletas Ducati, as válvulas desmodrômicas foram mencionadas em 1896 na patente de Gustav Mees. E também utilizadas em carros de corrida da Mercedes-Benz durante a década de 1950. A desvantagem do sistema é sua maior complexidade, peso e custos, pois utiliza duas árvores de comando para cada válvulas. E mecanicamente, o eixo de comando que aciona o retorno causa mais fadiga nas válvulas do que as molas convencionais, isso porque exercem maior força e contato contra a sede das válvulas.

No sistema de suspensão Telelever, a mola fica localizada entre o motor e os garfos apoiada num estrutura conectada ao motor. As vantagens deste sistema largamente utilizado pela BMW, é o menor peso do sistema, aliviar as rodas de absorver impactos, garantir maior tração nas acelerações e menor “mergulho” nas frenagens. A desvantagem é somente o custo de produção e manutenção.

Criado por Pierluigi Marconi como tese de conclusão de curso, o conceito de suspensão Pull Rod dispensa o uso de bengalas e desmembra o sistema de direção da suspensão. As vantagens são o rebaixamento do centro de gravidade ganhando estabilidade em curvas, menor peso da moto e um visual exótico. As desvantagens são o posicionamento do sistema de freio muito vulnerável e alguma falta de agilidade nas respostas da direção, segundo alguns pilotos. O sistema se tornou popular em 2006 quando a Bimota a implantou o conceito na Tesi 3D.

O conceito de freios ZTL (Zero Torsion Load) foi desenvolvido pela norte-americana Buell. O sistema consiste em fixar um disco de freio à borda do aro, o que segundo o fabricante dispensa o uso  de pinças com vários pistões, o uso de disco duplo, reduz o peso da roda em 3 kg e elimina a torção do quadro durante freadas  extremas.

Outro recurso engenhoso criado pela Buell foi o Fuel in Tank, um quadro de alumínio que servia também como tanque de combustível. Já o braço da suspensão traseira servia como reservatório do óleo lubrificante. O objetivo deste conceito é distribuir o peso do combustível de forma mais uniforme e baixar o centro de gravidade, proporcionando à motocicleta uma alta maneabilidade. A supressão dos reservatórios de combustível e óleo garantem, ainda mais leveza à moto.

Suzuki Intruder 250, moto honesta

Robusta, econômica, simples, confiável, acessível… estas são as características mais citadas pelos proprietários da pequena Suzuki Intruder 250, comercializada no Brasil entre 1997 e 2001. Vários bons modelos de motocicleta deixaram de ser comercializados no Brasil sem uma boa justificativa e a Intruder 250 é um destes exemplos. Com uma mecânica confiável, ciclística confortável e motor robusto e econômico, a Intruder era o melhor custo-benefício entre as 250cc comercializadas entre nós. Era moto com cara de moto e com o essencial para o motociclista… sem perfumarias e “penduricalhos” para encarecer ou apresentar defeitos desnecessários. Enfim, a Intruder 250 continua sendo uma das motocicletas mais “honestas” que se pode ter.

Em termos mecânicos, a Intruder 250 pode ser considerada uma “mini Savage”: motor um cilindro, um carburador e uma vela. Sem complexidades mecânicas, o motorzinho de quatro válvulas com comando simples (OHC) é durável e robusto, dificilmente deixa o piloto na mão. O consumo médio fica na faixa dos 30 km/l. Com um tanque de 10,3 litros, tem uma boa autonomia de aproximadamente 300 km.

Estilo

O estilo não é lá o ponto forte da Intruder 250. Geralmente é classificada como custom, mas seu estilo está mais para uma motocicleta inglesa dos anos 1960. A lanterna traseira é grande e destoa do conjunto… é só trocá-la por uma mais custom que o visual geral da moto melhora muito. O pára-lamas cromados e as rodas raiadas também dão um visual retrô à motocicleta. Aliás, as rodas raiadas da 250 são muito mais “felizes” do que as de liga leve da Intruder 125. No geral não é feia, mas também não é nenhuma beldade. Oferece bastante opções de personalização.

Pilotagem & Desempenho

Pilotando,  a maior virtude da Intruder 250 é o conforto, graças à suspensão de curso longo. Os freios não são seu forte, apenas são suficientes para a proposta da moto. O motor responde rápido à tocada e não decepciona até chega ao seu limite. Em termos de potência, seus 22 cv está alinhado com as concorrentes:

Suzuki Intruder 250
Yamaha Virago 250
Dafra Kansas 250
Kasinski Mirage 250
Garini GR 250 T3
Sundown V-Blade
Potência
 22 cv (8.000 rpm)
21 cv (8.000 rpm)
21 cv (7.000 rpm)
27 cv (10.000 rpm)
 24,1 cv (8.000 rpm)
 19,7 cv (8.000 rpm)
Torque
 1,9 kgf cv (5.500 rpm)
2,1 kgf (6.500 rpm)
2,35 kgf (6.000 rpm)
2,27 kgf (8.500 rpm)
 1,6 kgf (6.000 rpm)
 1,58 kgf (6.000 rpm)

Nas minhas pesquisas pelos foruns, percebi que a maior preocupação de quem vai comprar esta Intruder, é com respeito à sua velocidade final, que fica em torno dos 130 km/h, o que não é nada mal para uma custom de 250cc. Já a velocidade de cruzeiro, gira em torno dos 100 km/h, que pode ser considerada suficiente para as estradas brasileiras e para a proposta custom, que não é correr exageradamente.

Com  garupa, o desempenho logicamente cai um pouco. O banco relativamente largo é confortável. A altura da pedaleira está numa boa posição que não exige uma posição flexionada e cansativa. A pequena distância entre-eixos pode torná-la um pouco cansativa em longas distâncias, mas nada que um comando avançado não resolva. E então, dá para viajar com uma Intruder 250? Dá!!! Como diria um jornalista norte-americano cujo nome não me lembro: “…uma moto pequena não é desculpa para não viajar e conhecer o mundo…”.

Eu disse acima que a Intruder 250 é uma “mini Savage” em termos de robustez e simplicidade mecânica. Mas com a vantagem de ter uma manutenção mais fácil e acessível… pelo menos nas grandes cidades. O valor das peças está no patamar de qualquer outra 250 do mercado.

Herança

A Intruder 250 entrou no mercado internacional (lá conhecida como GN 250) em 1982 e foi produzida por lá até 1996. No Brasil ela foi comercializada pela J. Toledo entre 1997 e 2001. A GN 250 faz muito sucesso em mercados do leste europeu, que parece ter uma preferência pelas motos monocilíndricas como a Yamaha XT 600, Suzuki DR 800, Suzuki Savage 650 e a própria GN 250. Também é muito apreciada em mercados da América do Sul como Argentina e Chile.

Quando foi descontinuada em 1996 no exterior, a GN 250 foi substituída pela TU 250 que tem as mesmas características, mas com injeção eletrônica e visual renovado. No Brasil, a Intruder 250 simplesmente foi tirada de linha por conta de seu visual ultrapassado.

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Confira a ficha técnica da Suzuki Intruder 250 no Leico Fichas Técnicas

Leico - Fichas Técnicas. O jeito mais pártico de conhecer motocicletas.

Os mods e suas lambretas

A subcultura mod teve início em turmas de garotos adolescentes cujas famílias eram ligadas ao comércio de tecidos em Londres. Esses primeiros mods eram geralmente de classe média, obcecados pelas tendências da moda e estilos musicais, como ternos italianos bem justos, jazz moderno e rythm and blues. Sua vida social urbana era impulsionada, em parte, por anfetaminas. É crença popular que os mods e seus rivais, os rockers , foram uma evolução dos Teddy Boys, uma subcultura da Inglaterra da década de 1950. Não existe um contínuo histórico consistente entre os Teddy Boys e os Mods, cujas origens se encontram fora do espectro do rock and roll.

Enquanto o estilo de vida se desenvolvia e era adotado por adolescentes ingleses de todas as classes econômicas, os mods expandiram seus gostos musicais para além do jazz e do R&B, abraçando também o  soul (particularmente da Motown), o ska jamaicano e o bluebeat (versão inglesa do ritmo jamaicano). Eles também deixaram sua marca no desenvolvimento da beat musica e do R&B britânicos, exemplificados em bandas como Small Faces, The Who e The Yardbirds. Entre as bandas britânicas menos conhecidas associadas ao cenário mod, estão The Action, The Cration e John’s Children.

Os mods se reuniam em pubs londrinos como o Goldhawk e o Marquee Club para exibir suas roupas e passos de dança. Eles usavam tipicamente scooters como meio de transporte, normalmente das marcas Lambretta ou Vespa. Uma das razões é que o transporte público encerrava suas atividades relativamente cedo, e os scooters eram mais baratos do que automóveis. Depois que uma lei exigindo a instalação de pelo menos um espelho em motocicletas foi aprovada, os mods adicionaram 4, 10, 32 espelhos a suas scooters como forma de zombar da nova lei.

Outra subcultura jovem, conhecida como rockers (associadas às motocicletas e jaquetas de couro), frequentemente entrava em conflito com os mods, levando a batalhas em balneários como Brighton, Margate e Hastings. Em  1964, o conflito “mods versus rockers” deu origem a um pânico moral voltado contra a juventude moderna na Grã-Bretanha.

Decadência e remanescentes

Os mods eram produto de uma cultura em constante evolução, e talvez tenha sido inevitável que o cenário acabasse por devorar a si próprio. Quando Bobby Moore levantou a taça da Copa do Mundo no verão de 1966, a cena mod já se encontrava em visível declínio. Quando as culturas psicodélicas e hippie surgiram, muitas pessoas se afastaram do estilo de vida mod. A cultura hippie representava um perspectiva calma da vida, em total oposto à energia frenética do mito mod. Bandas como The Who e Small Faces mudaram seus estilos musicais, e não mais se representavam como mods.

Na outra extremidade do espectro, tanto em filosofia quanto em aparência, os “hard mods” (vulgo “gang mods”) eram mais violentos do que o resto de seus confrades. Com menos ênfase nas tendências da moda, e com o cabelo raspado bem curto, eles se tornaram os primeiros skinheads. Eles mantiveram a música mod original viva, tomando elementos básicos do visual mod – ternos de três botões, camisas Fred Perry e Ben Sherman, calças Sta-Prest e jeans Levi’s misturando-os com acessórios da classe operária, como suspensórios Dr. Martens.

Ressurgimento e influência posterior

O símbolo usado pelo movimento mod é originário da pop art, e foi baseado no símbolo usado nos aviões da RAF durante a Segunda Guerra Mundial; supõe-se que tenha sido uma evolução da camiseta com um alvo estampado usada por Keith Moon, pois esta foi sua primeira conexão conhecida com os mods.

O filme Quadrophenia, lançado em 1979 e baseado no álbum homônimo do The Who, foi uma celebração do movimento mod, inspirando em parte um revival mod no Reino Unido no final da década de 1970, seguido por outro revival na América do norte no começo dos anos 1980, particularmente no sul da Califórnia. Muitas das bandas da época eram influenciadas pela energia do punk rock britânico, e este ressurgimento foi liderado pelo The Jam. Entre outras bandas destacavam-se o Secret Affair, Purple Hearts e The Chords.

O cenário Britpop dos anos 1990 demonstrou claras influências mod, com bandas como Oasis, Blur e Ocean Colour Scene.


Yamaha Virago 535

Estou escrevendo este artigo, pois semanalmente recebo e-mails perguntando: “A Virago 535 vale a pena?”

Sim, vale a pena! Tecnicamente é uma excelente motocicleta e na opinião dos proprietários, também! Pesquisando no site Best Cars Web, onde os proprietários respondem objetivamente seu grau de satisfação com a moto, calculei que a Virago 535 tirou nota 8,54 com certeza um ótimo resultado.

Lançada no Brasil em 1994,  a Virago 535 S chegou custando 11 mil dólares para enfrentar Kawasaki Vulcan 500 e a Honda Shadow que chegaria apenas 1 ano depois. Ficou em linha até 2002 quando sua importação foi encerrada.

A Rival

Sem dúvida, a maior rival da Virago 535 é a Honda Shadow VT 600. Mas na minha opinião particular, tecnicamente a Yamaha é melhor. Primeiramente, pelo sistema de transmissão secundário que na Yamaha é por eixo-cardã, praticamente isento de manutenção, um rodar mais suave e silencioso. Já na Honda (não sei porque) a transmissão é feita por corrente e pinhão, o que lhe garante um custo entre 334 reais¹ e 745 reais² com o kit de relação a cada 15 mil kilômetros. Outro diferencial entre as duas é o sistema de arrefecimento do motor que na Virago é a ar, o que torna o funcionamento do motor um pouco mais barulhento, mas a ausência do radiador deixa a moto mais leve (182 kg contra 200 kg da Shadow), e dispensa a preocupação de completar o nível de água no sistema. Por outro lado, o motor da Shadow tem um funcionamento mais silencioso e trabalha numa temperatura mais baixa na cidade.

E por falar em cidade, aqui a Virago se dá melhor graças ao seu porte mais compacto: 7 cm mais estreita e 13 cm mais curta e 18 kg mais leve que a Shadow, lhe garantem muito mais agilidade no trânsito pesado. Rodando na estrada, ambas devem andar juntas, pois o motor menor da Yamaha gera 46,2 cv a 7.500 rpm contra 39 cv a 6.500 rpm da Shadow. Em contrapartida, o motor Honda leva vantagem no quesito torque: 4,9 kgmf a 3.500 rpm, que na Yamaha chega em giros mais altos: são 4,8 kgmf a 6.000 rpm. Isso significa, que na Yamaha as reduções de marchas sejam mais necessárias em algumas situações. Eu, particularmente iria de Virago.

Estilo

A Virago é uma das custom mais bonitas já comercializadas no Brasil. Segue o estilo chopper (guidão alto, pneu traseiro largo, dianteiro estreito com aro maior).  O tanque em formato de gota junto com o tanque adicional sob o banco, somam 13,5 litros de capacidade. O consumo³ de 15,3 km/l na cidade e 19,1 km/l na estrada não é ruim para uma moto de quase 535 cc e duplo carburador. Vale lembrar que a alimentação de gasolina no carburadores é feita por bomba elétrica, o que exige atenção com o nível de gasolina no tanque sob pena de queimá-la. O escape duplo é muito bonito, mas seu desenho faz com que a pedaleira do garupa fique muito elevada comprometendo o conforto de quem viaja atrás, com os joelhos muito flexionados. O guidão tipo “chifre-de-boi” garante conforto maior do que o guidão “reto” do modelo exportado para os Estados Unidos.

Manutenção

Como sempre acontece, o custo de manutenção de uma motocicleta média, não é nada convidativo. Mas o labo bom é que a Virago é muito robusta e dificilmente quebra. Abaixo, uma lista com os problemas mais reportados por proprietários do modelo:

– Bomba de combustível (2);
– Solda do pára-lama traseiro (2);
– Torneira elétrica (3);
– Eixo cardã (1);
– Platô (1);
– Bomba de gasolina (2);
– Bateria (1);
– Embreagem (1);
– Diafragma da bomba de gasolina (5);

Customizar?

Mercado

Como qualquer custom média, a Virago não é tão fácil de ser vendida, principalmente fora das grandes cidades. Mas mesmo assim, é uma moto muito respeitada entre os motociclistas em geral e está longe de ser um “mico”. Os preços variam entre R$ 9.505 (modelo 1994) e R$ 13.100 (modelo 2002).

Comparando, a Shadow é sensivelmente mais valorizada: um modelo 2002 custa R$ 14.860, cerca de 13% mais cara que a Virago 535 S. A substituta da Virago 535S foi a XVS 650 Dragstar em 2002.

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Fontes:

http://www.fipe.com.br

¹ http://www.marquinhomotos.com.br/kit-relac-o-vt600-shadow-vaz-h02243t.html

² http://www.vargasmotopecas.com.br/afam-relacao-shadow-afam-p-1255.lgz

http://www.marquinhomotos.com.br/pneus.html?p=3

http://motoscustomclassics.blogspot.com/2010/12/fichas-tecnicas-shadow-vt-600-e-virago.html

http://www.google.com.br/search?hl=pt-BR&sugexp=kjrmc&cp=8&gs_id=u&xhr=t&q=virago+535&gs_sm=&gs_upl=&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.,cf.osb&biw=1280&bih=937&um=1&ie=UTF-8&tbm=isch&source=og&sa=N&tab=wi#um=1&hl=pt-BR&tbm=isch&sa=1&q=virago+535+customizada&oq=virago+535+customizada&aq=f&aqi=g1&aql=1&gs_sm=e&gs_upl=49262l51880l2l52062l11l11l0l8l8l0l512l961l4-1.1l3l0&bav=on.2,or.r_gc.r_pw.,cf.osb&fp=c542d4fac6a05be5&biw=1280&bih=894

http://bestcars.uol.com.br/

Hells Angels

A história dos primórdios do Hells Angels  não é clara. Segundo Ralph Sonny Barger, fundador da facção Oakland, facções do clube foram fundadas em São Francisco, Gardena, Fontana, e outros lugares independentemente uns dos outros, e sem saberem da existência umas das outras . Mas outra versão da história diz os Hells Angels de São Francisco foi originalmente organizado por Rocky Grave, um membro dos Hells Angels de São Bernardino (“Berdoo”). Isto prova que os Hells Angels “Frisco” estavam muito cientes de seus representantes. De acordo com outra fonte, o clube Hells Angels foi um sucessor do “P.O.B.O.B.” Motorcycle Club. O Hells Angels “Frisco” foi reorganizado em 1955 com treze membros; Franco Sadliek, que concebeu o logotipo original do cranio da morte, nomeado como presidente. A facção Oakland, nessa altura era chefiada por Barger, usando uma versão maior de seu apelido “Barger Maior” qual foi primeiramente usado em 1959 e mais tarde tornou-se o clube central.

Os Hells Angels são às vezes representados como uma lenda dos dias modernos, ou como o espírito livre e se transformaram em ícone de um era de camaradagem e lealdade. Outros os descrevem como um bando criminoso, violento e um estorvo na sociedade.

O nome Hells Angels tem origem militar quando tanto na Primeira quanto na Segunda Guerra Mundial, foi usado para nomear esquadras ou outros grupos de guerra por ser um nome desafiador, feroz e mortal. Os Tigres Voadores baseados na China foi dividido em três esquadrilhas de avião, e uma esquadrilha foi nomeada “Hell’s Angels”. Várias unidades usaram o nome Hell’s Angels antes do fundador do clube de motocicletas usá-lo, inculsive o 303º Grupo H de Bombardeiros Pesados da Força Aérea Americana, uma unidade militar formada nos primeiros anos da Segunda Guerra Mundial, e a 11ª Divisão Aérea. Alguns Hells Angels tentam acabar com a crença de qualquer conexão, exceto o nome, entre o HAMC e o histograma militar Hell’s Angels. O website oficial do grupo esclarece que o nome foi sugerido aos fundadores do clube por um amigo, Arvid “Oley” Olsen, que foi um membro dos Tigres Voadores. Nenhum membro daquela esquadrilha tornou-se membro da HAMC.

Símbolos e rituais

A página oficial dos Hells Angels na internet atribui o design da insignia oficial “cabeça da morte” a Frank Sadilek, antigo presidente da facção São Francisco . As cores e forma de estilo do emblema das jaquetas (antes de 1953) foram copiadas das insígnias da 85ª Esquadrilha de Combate e da 552ª Esquadrilha de Aviões Bombardeiros Médios.

Os Hells Angels utilizam um sistema de emblemas, similar às insignias militares. Embora o significado específico de qualquer emblema não seja de conhecimento público, os emblemas identificam atividades especificas ou crenças de cada motociclista. As cores oficiais dos Hells Angels são letras vermelhas visualizadas em fundo branco. Estes emblemas são aplicados em jaquetas e roupas de couro ou jeans.

Vermelho e branco são também utilizados para exibir o número 81 em muitos emblemas, como em “Suporte 81, Rota 81”. O 8 e 1 apontam as respectivas posições na alfabeto das letras H e A (iniciais de Hells Angels). São usados por amigos e apoiadores do clube, mas somente membros oficiais podem vestir qualquer logomarca dos Hells Angels.

O diamante formando o emblema um porcento também é utilizado, e escrito como “1%”, em vermelho no fundo branco com borda castanha. O termo “um porcento” é uma resposta ao Incidente Hollister quando a Associação Americana de Motociclistas (AMA) teria dito que 99% dos motociclistas eram formados por bons cidadãos e 1% por bandidos. A AMA alega não se recordar de ter dado tal declaração à imprensa, e chamada esse relato apocrifo.

Muitos membros vestem um emblema retangular (novamente, fundo branco com letras vermelhas e bordas castanhas) identificando sua respectiva facção local. Quando aceitos, novos membros do clube vestem um emblema denotando sua posição ou hierarquia dentro da organização. O emblema é retangular, e da mesma forma que os emblemas descritos acima, são desenhados em fundo branco com letras vermelhas e bordas castanhas. Alguns exemplos de cargos usados são Presidente, Vice-Presidente, Secretário, Tesoureiro, e Sargento de Armas. Esse emblema é habitualmente colocado acima do emblema de localização do clube.

Alguns membros também vestem um emblema com a rubrica ‘AFFA’, que significa “Angels Forever, Forever Angels” (Angels para sempre; para sempre Angels), referente a seu vinculo vitalício no clube de motocicletas (isto é, ‘uma vez membro, sempre um membro’).

O livro Gangs, escrita por Tony Thompson (um correspondente criminal do jornal The Observer), depõe que Stephen Cunningham , um membro dos Angels, ganhou um novo emblema após ele ter sido resgatado depois de uma tentativa de armar um atentado a bomba: dois SS em formato de relampagos em estilo nazista e abaixo as palavras ‘Filthy Few’. Algumas declarações de oficiais da justiça alegam que o emblema é um prêmio apenas para aqueles que tem cometido, ou são preparados para cometer, homicídios em favor do clube. Conforme um relatório do caso R. V. Bonner e Lindsay em 2005 ( segue relacionado seção abaixo ), outro emblema, similar ao emblema ‘Filthy Few’, é o emblema ‘Dequiallo’. Esse emblemo significa que o usuário possui passagem pela policia”. Não há convenção comum quanto ao local onde os emblemas são localizados nas jaquetas e roupas dos membros.

Em março de 2007 os Hells Anjos moveram ação judicial contra os Estúdios Walt Disney alegando que o filme intitulado Porcos Selvagens (Wild Hogs) usou o nome e o logotipo da Hells Angels Motorcycle Corporation sem permissão.

As exigências para tornar-se um membro do Hells Angels são as seguintes: os candidatos devem ser homens, brancos, ter uma habilitação de motociclista, trabalhar com motocicletas e não pode ser um molestador de crianças ou ter sido um oficial da polícia ou guarda de prisão. Após um longo processo, um candidato a membro é primeiramente admitido como um ‘Candidato’, indicando que o indivíduo é convidado a alguns eventos do clube ou a encontrar outros membros do clube em encontros de motociclistas.

Se o Candidato estiver interessado, ele pode ser convidado a se tornar um ‘Associado’, uma situação que acontece habitualmente após um ano ou dois. No fim deste estágio, ele será reclassificado como ‘Prospecto’, convidado a paricipar em algumas atividades do clube, mas não para ter privilégios, enquanto ele será avaliado como um possível membro oficial. A última fase, e o mais alto grau de status, é ‘Associação Plena’ ou ‘Emblema Pleno’. O termo Emblema Pleno refere-se ao conjunto dos quatro emblemas, incluindo o logotipo ‘Cabeça da Morte’, dois apliques (aplique superior: ‘Hells Angels; aplique inferior: Estado ou Território) e o emblema retangular ‘MC’ abaixo da asa da Cabeça da Morte. Candidatos potenciais são autorizados a vestir somente um aplique inferior com o nome do Estado ou Território com o emblema retangular ‘MC’.

Para tornar-se um membro de pleno direito, o Prospecto deve ser votado em pelos membros oficiais do clube. Antes da votação, um Prospecto habitualmente viaja por cada facção da jurisdição ( estado / província / território ) e introduz ele mesmo a cada Emblema Pleno. Esse processo permite que qualquer membro votante torne-se familiarizado com o sujeito e a fazer qualquer questionamento antes do voto. Após a admissão habitualmente requer uma maioria unânime nas votações, e algum clube poderá rejeitar um Prospecto por um simples voto discordante. Algumas formalidades a serem acatadas seguem, dentro das quais o Prospecto afirma sua lealdade ao clube e a seus membros. O emblema final (aplique superior Hells Angels) é então concedido numa cerimônia de iniciação. Ao sair dos Hells Angels, ou ser rejeitado, pode-se voltar ao clube.