Ayrton Senna do Brasil

Senna se tornou um mito não só por suas vitórias nas pistas de corrida, mas principalmente pela mensagem que passava a todas as pessoas que acompanhavam sua trajetória. Disciplina, equilíbrio, luta, determinação… era sua postura diante da vida. Muito acima de ídolos fracassados como Renato Russo e Cazuza que viviam drogados e metidos em orgias sexuais, Ayrton Senna era e ainda é exemplo de vida para a juventude. Melhor do que uma dramatização feita por Antonio Banderas como Ayrton Senna, este documentário inglês mostra a trajetória e faz uma homenagem ao  maior piloto de todos os tempos que completaria 50 anos agora em 2010.

Potência & torque

Você aí que tem o costume de ler revistas ou visitar sites sobre automóveis e motocicletas, já deve ter lido lá no meio das matérias, o cara escrever sobre a potência e o torque do veículo. Mas qual a diferença? Quais fatores contribuem para um motor ter mais torque ou mais potência?

POTÊNCIA

Segundo a física clássica: “potência é aquantidade de energia liberada por uma fonte durante uma unidade de tempo”. Deixando aquele monte de termos técnicos e frases indecifráveis de lado, vamos às analogias: Imagine que você está numa pista de atletismo e que irá disputar uma prova de 100 metros rasos contra Usain Bolt. Advinhe quem vai ganhar? Bolt, eu acho. E tudo porque durante aquele ontervalo de tempo entre o disparo da largada e a chegada, ele conseguirá liberar mais energia (potência) do que você. E ele consegue isto, graças à sua musculatura.

Motor BMW SauberNo mundo dos automóveis e motocicletas, acontece o mesmo, ganha aquele que tiver o motor mais capacitado, mais potente. Mas neste caso, quem garante a capacidade dos motores, não são músculos, mas sim cilindros, capacidade volumétrica (cilindrada) e principalmente giros do motor. Esta última afirmação é comprovada pela Fórmula 1. Quando a FIA reduziu o “tamanho” dos motores para 2.4 litros e restringiu o número de cilindros a oito, os engenheiros das equipes correram buscar uma forma de se conseguir mais potência com estes motores menores, e a solução, foi aumentar os giros dos motores. Mais RPM = maior potência. Os motores chegaram a incríveis 20.000 rpm e a potência voltou à marca dos 780 hp. Mas em 2009, a FIA restringiu os giros a “apenas” 18.000 rpm. Veja na imagem abaixo, a comparação entre dois carros com motores bem semelhantes:

Mais giros, mais potência

Ambos têm motores com 16 válvulas de abertura variável, mas a vantagem do Honda está em sua capacidade de girar mais vezes por minuto (quase o dobro) e assim gerar  maior potência (também quase o dobro). Ainda não se convenceu? Então vamos à fórmula física:

, que traduzida diz que potência é igual ao torque (T) multiplicado pela rotação do motor (n) sobre 60.75. Ou seja, a potência depende do torque (força) e rotações do motor.

TORQUE

Se potência é a velocidade com que um trabalho é realizado (energia x tempo), torque é a quantidade de força aplicada a este trabalho. A física diz: “o torque é definido a partir da componente perpendicular ao eixo de rotação da força aplicada sobre um objeto que é efetivamente utilizada para fazer ele girar em torno de um eixo ou ponto central, conhecido como ponto pivô ou ponto de rotação”. Ou seja, é a intensidade da força aplicada a uma alavanca que faz um eixo girar. E é o que acontece nos motores: a mistura ar+combustivel explode no cilindro, joga o pistão para baixo e este faz o virabrequim girar e este transmite esta força para as rodas. Veja isto na animação ao lado: a força (torque) que o pistão  irá entregar ao virabrequim vai depender de duas coisas: 1) da intensidade da explosão na câmara de combustão e do peso do próprio pistão.

Isto explica o fato de existirem tantas arquiteturas diferentes para os motores e como isto influencia em seu desempenho. Veja a figura abaixo a comparação entre duas motocicletas com motores bem diferentes:


Agora considere alguns fatos:

1) a KTM apesar de ter um motor 50% maior (990 cc contra 600 cc), mas gera menos potência (104 hp contra 133 hp) do que a  Yamaha.

2) A Yamaha é mais potente, mas tem 30% menos torque do que a KTM (7 kgmf contra 10,6 kgmf)

3) Fora deste contexto, podemos incluir ainda que motores equipados com turbocompressores têm boa faixa de torque a baixos giros.

E agora considere as respostas para estes fatos:

1) a KTM tem um motor maior , mas com volume distribuido em apenas 2 cilindros de 495 cc cada. Já a Yamaha tem motor de 600 cc dividido em 4 cilindros com 150 cc cada um. Se considerarmos que os pistões são feitos do mesmo material, chegaremos à conclusão de que um pistão de 495 cc da KTM é bem mais pesado do que um pistão de 150 cc da Yamaha e sendo assim, o maior peso do cilindro resultará em maior inércia, menos giros por minuto, ao contrário dos cilindros pequenos e leves da Yamaha, que girarão mais rápido e garantirão maior potência.

2) se por um lado os pistões mais pesados da KTM representam menos giros e menor potência, por outro lado este mesmo peso irá resultar em maior força (maior torque). É só imaginar o pistão como um martelo que exerce um golpe, e óbviamente um martelo feito com 495 cc de alumínio golpeará com mais força do que um martelo (pistão) de 150 cc de alumínio. É por isto que o torque da KTM aparece a apenas 6.750 rpm e a Yamaha tem que gritar a 14.500 rpm para mostrar sua força, porque seus martelos (pistões) são muito leves.

3) No caso dos motores turbo, o maior torque se dá por conta da explosão mais intensa dentro da câmara de combustão. O turbocompressor comprime mais ar-combustível na câmara e com isto a explosão é mais intensa, repelindo o pistão com mais força (torque). Os motores turbo-diesel seguem as duas teorias a do peso do pistão (motores diesel tem pistões mais reforçados e pesados devido à maior temperatura em que trabalham) e também à maior intensidade das explosão da combustão, já que trabalham com turbocompressor e maior taxa de compressão para gerar ignição sem uso de velas.

POTÊNCIA DO SER HUMANO

Calma, não tem a ver com aquela potência relacionada ao Viagra, mas à potência em watts que um corpo humano pode gerar: em média 100 W, variando entre 85 W (0,12 hp) durante o sono e 800 W (1,07 hp) durante prática de esportes. E ciclistas profissionais tiveram medições de 2000 W (2,68 hp) de potência realizada para curtos períodos de tempo.

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Fontes:

http://en.wikipedia.org/wiki/Formula_One

http://carros.uol.com.br/ultnot/2010/03/16/toyota-corolla-20-supera-o-18-em-muito-mais-que-02.jhtm

http://www.supercars.net/cars/3216.html

Schumacher não é Senna

Rivais da pesada

Rivais da pesada

Michael Schumacher é um gênio das pistas, isto é fato. Mas será que ele teria alcançado sete campeonatos e números tão impressionantes se tivesse tido rivais à sua altura ao longo de toda sua carreira? Quando começou a brigar pela ponta, Senna faleceu…e quando Alonso, Kubika e Hamilton mostraram representar algum perigo, Schumacher se aposentou. Já Ayrton Senna só não passou do tricampeonato por ter duelado contra outros gênios ao longo de toda sua carreira: Prost, Piquet, Mansell (não era páreo para Ayrton, mas tinha sempre um carro superior), Nikki Lauda, entre outros.

Bruno não é Ayrton

Bruno não é Ayrton

Bruno não é Ayrton

O teste de Bruno Senna com um fórmula um está agitando o mundo do automobilismo, já que a maioria tem a esperança de que ele seja o tão esperado sucessor de Ayrton. Mas ter o mesmo sangue e o mesmo sobrenome não garante nada a ninguém. Basta lembrar da saga de alguns “herdeiros” que seguiram a trilha de seus ancestrais como Damon Hill que não se tornou um Graham Hill; Jacques Villeneuve que não chegou perto de ser como seu pai Gilles; Christian Fittipaldi que não brilhou como seu tio Emerson ou de Ralph que jamais terá o mesmo talento de seu irmão Michael Schumacher.

No caso do Bruno Senna, creio que ele não chegará ao mesmo sucesso de seu tio também, pois ele pode até ter algum talento, mas não parece ter aquela obstinação, perfeccionismo, inquietação e compenetração que o Ayrton tinha. Espero estar errado.