Motocicletas e maturidade

Gosto não se discute. Cada um tem suas preferências, suas opiniões sobre o que comprar e sobre o que usar. Com as motocicletas, não é diferente. Eu creio que o tipo de moto, mostra (na maioria das vezes) a personalidade do piloto e também sua maturidade. É interessante ver que motos esportivas são geralmente procuradas por jovens que sentem necessidade de provar algo e fazem isso voando em autoestradas a 300 km/h. Desafiar a morte é típico da juventude inconsequente, que se identificam com motocicletas de visual agressivo e motores nervosos. Particularmente, eu jamais compraria uma esportiva ou uma daquelas nakeds cheias de carenagens com aquele visual “alienígena” como a Kawasaki Z-1000.

A Kawasaki Z-1000 está mais para nave alienígena... e não tem assento para a garupa.

Gosto de moto com cara de moto, como as Triumph Bonneville, Harley-Davidson 883 ou Norton Commando. São motocicletas honestas e sem frescuras, para rodar com calma e tranquilidade pelas estradas. São motocicletas para homens maduros que não tem pressa, não precisam viajar a 300 km/h para provar nada a ninguém. O maior argumento que os defensores das esportivas apresentam, é a forma soberba como elas fazem curvas ou as velocidades estonteantes que atingem… e para por aí. Mas quem precisa fazer uma curva vertiginosa na estrada? Ou baixar centésimos de segundos num trajeto para o trabalho? As pessoas passam a semana inteira correndo estressadas para resolver seus problemas cotidianos e nos fins de semana, montam numa moto para… correr mais ainda sob o stress de sofrer um acidente em alta velocidade e é aí que eu acho que a motocicleta perde aquele sentido de viajar e relaxar curtindo a paisagem.

Quando você estiver viajando e passar por um grupo pilotando motocicletas custom calmamente, estes são os caras maduros que já chegaram lá… mas quando for ultrapassado por motocicletas esportivas voando baixo, estes são os garotos que estão tentando provar algo para si mesmos e sentir um pouco de poder.

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Sucessos e fracassos no design automotivo

Ao comprar um carro, vários quesitos são levados em consideração. Mas o primeira avaliação é o design visual, a beleza do modelo. Os fabricantes investem cada vez mais neste ponto para ganhar os clientes pelos olhos. Mas por várias vezes, erram a mão e o traço de um novo modelo não sai tão bom assim e em outros casos, dão cria a um carro feio mesmo e enm sempre tem a ver com o orçamento envolvido no projeto.

Luxo, dinheiro, beleza e feiura

Os designers de carros de alto luxo também sofrem lá suas limitações, mas seus projetos podem ousar mais, ter mais liberdade de criação sem preocupar tanto com contenção de custos, já que neste mercado, o alto preço do modelo final acaba atraindo mais clientes em busca de status e exclusividade. Em 2003, a Bentley lançou um dos mais belos automóveis de todos os tempos: o Continental GT. Poucos modelos conseguem aliar elementos do passado num design tão moderno e sofisticado quanto o Continetal GT. O design deste esportivo de luxo foi tão bem concebido que se mostra moderno e atraente após sete anos de seu lançamento.

Mas nem sempre um projeto com orçamento generoso gera belos frutos. Em 2002 a Mercedes-Benz decidiu ressuscitar a marca Maybach e oferecê-la como uma opção ainda mais luxuosa para clientes que não se contentavam com os Mercedes-Benz. Mas o resultado foram modelos exóticos e extravagantes que seguem a filosofia “ame ou odeie”. Na minha opinião, os carros da Maybach são feios. Podem ser extremamente luxuosos, mas visualmente são feios mesmo. Para minha namorada o modelo “parece um caixão”.

Tecnicamente são modelos Mercedes da Série S com um acabamento mais refinado e um visual mais cafona. Isso prova que mesmo no mercado de alto luxo, os fabricantes cometem sues deslizes.

Tem que ser feio para ser barato?

No outro lado da moeda, estão os modelos convencionais, desenvolvidos para oferecer mais por menos. Afinal, se os ricaços fazem questão de comprar automóveis caros, os simples mortais querem valorizar seu dinheiro na hora da compra. Não sei se é preconceito meu, mas a Renault é campeã em lançar carros esquisitos ou mesmo, feios. O Logan, desenvolvido para ser maior e mais barato do que seus concorrente, buscou um design com linhas quadradas e sem vincos para conter o preço final do modelo. O resultado é um carro com design dos anos 90 (parece um Polo Sedan de 1996) que é praticamente comprado apenas por taxistas. O Toyota Etios parece ser uma versão japonesa do Logan, e também deve ser comprado unicamente pelo lado racional. O Renault Duster com aquele desenho duvidoso não fará sombra à nova Ecosport, à Mini Captiva da GM ou a qualquer concorrente coreano. O Nissan Tiida, para mim não passa de um Peugeot 307 com linha mais quadradas. E por fim, o Renault Symbol é feio porque foi uma tentativa de refinamento de um carro feio, o Clio Sedan.

Como gosto não se discute, este artigo não chega a nenhuma conclusão prática, a não ser de que por muitas vezes fabricantes e profissionais tem a chance de lançar algo bonito e marcante, mas por alguma razão preferem apostar no comum ou duvidoso. às vezes um carro feio e barato pode ser um sucesso de vendas, mas dificilmente serão sucesso de critica.

Falta de assunto na TV

Faz tempo que estou pra escrever este artigo, mas como acho que TV costuma ser uma perda de tempo, fui pra lá. Mas hoje quando passei em frente a uma loja de eletrodomésticos, uma das TVs estava exibindo aquele programa “Hoje em Dia” da Record com a chamada: “Vaidade: galinha pinta as unhas!” Definitivamente a TV brasileira está falida, numa completa falta de assunto. Tão difícil quanto encontrar um bom conteúdo na programação, é saber qual o programa mais bizarro e inútil. Nos fins de semana são aqueles programas de auditório que não sabem o que inventar, durante a semana são estes programas voltados às donas-de-casa que hora mostram um bando de gente humilde e mal educada discutindo a intimidade familiar no programa da Cristina Rocha (SBT), ou é a Sonia Abrão que fica a tarde inteira debatendo sobre algum crime polêmico com especialistas de segurança (porque na época do Big Brother, ela fica comentando sobre o reality show global com outros desocupados). Outra dezena de canais são ocupados por pastores pilantras querendo angariar fundos para seu reino de glória particular. E sem contar com este programa de variedades que citei acima, o “Hoje em Dia” que chegou ao cumulo de exibir a tal reportagem sobre uma senhora que pinta as unhas de sua galinha de estimação. Espaço na televisão nunca foi barato, e gastar tanto dinheiro para exibir este lixo televisivo é no mínimo falta de assunto ou as redes televisivas subestimando a população.

Num país com tanta carência de ensino, acho que a TV aberta poderia fazer mais pelas pessoas em geral, do que exibir idiotices gratuitas. As emissoras brasileiras poderiam investir muito mais em documentários de todos os tipos para trazer informação, cultura e aprendizado a quem precisa. Canais internacionais como History Channel, Discovery, BBS, National Geografic etre outros, são exemplos que poderiam ser seguidos aqui no Brasil. Um bom ponto de partida é a TV Escola (UHF parabólica) voltada para o aprendizado popular e que exibe documentários internacionais sobre diversos assuntos. E não se trata de banir programas de entretenimento em prol de documentários científicos, mas extirpar apenas o dispensável e inútil. Tudo aquilo que não traga nada de positivo ou relevante à população deveria ser repensado.

Mas você pode questionar sobre a preferência da própria população por programas inúteis, afinal, se a emissora está exibindo programas com conteúdo de baixa qualidade, é porque tem audiência. E é lógico que as emissoras vão sempre atrás de audiência o que se traduz em lucros, mas onde fica a responsabilidade social das emissoras de TV? E será que a população assiste a estes programas acéfalos por costume e facilidade de compreensão? Não seria caso de começar a acostumar o povo a assistir programas mais enriquecedores? Talvez este não seja o interesse dos dirigentes deste país que não quer uma população consciente e contestadora. E acredito que a mudança deste país partirá não dos governantes, mas do próprio povo que deve receber sim mais educação, cultura, informação, etc. e a TV poderia ser um ótimo canal para isto. Mas enquanto esta iluminação não acontece, divirta-se assistindo algum cabeleireiro dando dicas sobre corte de cabelo ou desligue a TV e vá ler um livro.

Quadrinhos, guerra e fraude artística

Comprei o livro “Guerra 1939-1945” de Julius Ckvalheiyro. A capa faz supor que seja um livro de imagens sobre a Segunda Guerra Mundial, mas que na verdade é uma revista em quadrinhos. Até aí tudo bem.

Mas quando fui ler…“BANG!!!”. O que deveriam ser desenhos artísticos ilustrando a revista, são na verdade, fotografias retiradas da internet e manipuladas digitalmente ganhando um efeito de desenho. E são fotografias que você encontra logo na primeira página de pesquisa do  Google.
Um texto na contracapa da revista, leva a crer que o autor ilustrou a revista:

 “Guerra – 1939-1945 marca a retomada da tradição de HQs de querra produzidas no Brasil, que teve a revista Combate, publicada nas décadas de 1960 e 1970, como grande expoente. O álbum retrata a Segunda Guerra Mundial com desenhos extremamente realistas…

E aqui uma sinopse do blog Quadro a Quadro:

A Conrad Editora aos poucos parece retomar o mercado de quadrinhos e com bons lançamentos. O novo título da editora paulista é Guerra – 1939-1945, obra do paulistano Julius Ckvalheiyro, que retoma a tradição nacional de produzir HQs de guerra. O Jornalista, escritor e desenhista Julius apresenta uma obra com ilustrações extremamente realistas, que irão conduzir…

Entendo isso como “comprar gato por lebre”. Comprei um livro que na verdade era uma HQ e que por sua vez (na minha opinião) não passa de uma fotonovela. Para não ser injusto, ainda procurei na internet algum outro trabalho de ilustração do tal Ckvalheiyro, mas não encontrei nada além de imagens da capa desta mesma revista em quadrinhos.

 

As mulheres pela visão de um homem

As mulheres pela visão de um homem…Não importa o quanto pesa. É fascinante tocar, abraçar e acariciar o corpo de uma mulher. Saber seu peso não nos proporciona nenhuma emoção. Não temos a menor idéia de qual seja seu manequim. Nossa avaliação se dá de outra forma, isso quer dizer: se tem forma de guitarra… está bem.

Não nos importa quanto medem em centímetros – é uma questão de proporções, não de medidas. As proporções ideais do corpo de uma mulher são: curvilíneas, cheinhas, carnudas… Essa classe de corpo que, sem dúvida, se nota numa fração de segundo. As magrinhas que desfilam nas passarelas, seguem a tendência desenhada por estilistas que, diga-se de passagem, parecem odiar as mulheres e com elas competem. Suas modas são retas e sem formas.

A maquiagem foi inventada para que as mulheres a usem. Usem! Para andar de cara lavada, basta a nossa. As saias foram inventadas para mostrar suas magníficas pernas… Se a natureza lhes deu estas formas curvilíneas, foi por alguma razão e eu reitero: nós gostamos assim. Ocultar essas formas é como ter o melhor sofá embalado no sótão.

É essa a lei da natureza… que todo aquele que se casa com uma modelo magra, anoréxica, bulêmica e nervosa logo procura uma amante cheinha, simpática, tranqüila e cheia de saúde.

As jovens são lindas… mas as de 40 para cima, são verdadeiros pratos fortes. Por tantas delas somos capazes de atravessar o atlântico a nado. O corpo muda… cresce. Não da de entrar, sem ficar psicótica, no mesmo vestido que usava aos 18. Uma mulher de 45, que entra na roupa que usou aos 18 anos, ou tem problemas de desenvolvimento ou está se auto-destruindo.

Nós gostamos das mulheres que sabem conduzir sua vida com equilíbrio e sabem controlar sua tendência a culpas. Ou seja, aquela que, quando tem que comer, come com vontade (a dieta virá em setembro, não antes); quando tem que fazer dieta, faz dieta com vontade (não se saboteia e não sofre); quando tem que ter intimidade com o parceiro, tem com vontade; quando tem que comprar algo que gosta, compra; quando tem que economizar, economiza.

Algumas linhas no rosto, algumas cicatrizes no ventre, algumas marcas de estrias não lhes tira a beleza. São testemunhas de que fizeram algo em suas vidas, não tiveram anos em formol, nem em spa… Viveram!

O corpo da mulher é o sagrado recinto da gestação de toda a humanidade, onde foi alimentada, ninada e, sem querer, marcada por estrias, cesárias e demais coisas que fizeram parte do processo que contribuiu para que estivéssemos vivos.

Portanto, Cuidem-no! Cuidem-se! Amem-se! A beleza é tudo isto.

(Paulo Coelho)

Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles

O filme é uma mistura de Guerrra dos Mundos (2005) e Falcão Negro em Perigo (2001). A Terra é invadida por alieníginas aparentemente invencíveis que invadem nosso planeta para exterminar a raça humana e se apossarem de nossos recursos naturais (como em Guerra dos Mundos). Um pelotão do exército americano é enviado para o centro da cidade de Los Angeles  para resgatar um grupo de civis que ficou cercado numa delegacia (como em Falcão Negro em Perigo). Tanto em Guerra dos Mundos quanto em Batalha de Los Angeles, os alieníginas são vencidos de forma inesperada e num momento em que parece não existir mais saída para a raça humana: no primeiro filme, todos os invasores começam a morrer subitamente atacados por uma bactéria terráquea, enquanto no novo filme, todos os equipamentos alienígenas deixam de funcionar depois que os americanos destroem seu centro de controle. Uma última comparação: em Guerra dos Mundos, os alienígenas invadem a Terra disfarçados em relâmpagos…e em Batalha de Los Angeles, eles entram em nosso planeta mocozados em asteróides.

É um filme que não traz nenhuma revolução no enredo. Não tem nenhuma grande personalidade hollywoodiana no elenco (só Aaron Eckhart que fez o vilão Duas Caras em Batman, O Cavaleiro das Trevas) e nenhum efeito especial que já não tenhamos visto. Enfim, é um filme para pegar na locadora num sábado a tarde.

Design não é desenho

Costuma-se dizer que “primeiro comemos com os olhos”… e na hora de comprar algum produto, seguimos esta mesma filosofia primeiro avaliamos um carro, uma moto ou um celular pelo seu apelo visual, pelo seu ‘design’. Mas vamos reafirmar: design não é (só) desenho. Embora ambas palavras sejam bem parecidas, o termo design é mais adequado para ‘projeto’ ou ‘conceito’ do que para desenho. Dizer que um novo design se resume a um modelo mais boinitinho seria simplista demais. Afinal, um estudo de design para um novo produto envolve vários e complexos processos (econômicos, sociais, culturais, ecológicos,de segurança, de fabricação, etc.). Design não é apenas uma profissão, é uma filosofia aplicada a produtos e processos industriais.

O design é uma demonstração da forma de pensar sobre determinados aspectos e soluções para um mesmo tema.

Um bom exemplo é a história do relógio pessoal que por volta do ano de 1500 foi criado como versão de bolso, tendo a máquina ligada a uma corrente metálica que o prendia ao traje do usuário. Existe o boato de que o relógio de pulso teria sido criado por  Louis Cartier com o auxilio de Edmond Jaeger como solução para um problema apresentado pelo brasileiro Santos Dumont, que teria se queixado de não poder consultar as horas em seu relógio de bolso durante seus vôos experimentais. A partir deste problema, Cartier teria elaborado a solução conectando um relógio a uma pulseira, criando assim um novo design de relógio pessoal, ou seja, criou-se aí um novo conceito, uma nova e revolucionária forma de utilização para um produto. E esta é uma das essências do design: evolução. Daí a importância de ver o design como um modo de pensar, como um projeto e não simplesmente como um desenho mais bonito.