Bóson de Higgs. Afinal, ele existe?

A FOTO DE HIGGS: A simulação do choque de partículas no LHC. Desde 2010, já foram 360 trilhões de colisões para tentar detectar o Bóson de Higgs

A busca pela última partícula que constitui a matéria pode estar no fim, afirmam físicos do Cern.

(Peter Moon)

Os físicos sabem tudo sobre o Bóson de Higgs, exceto se ele existe, disse certa vez o alemão Rolf-Dieter Heuer. Diretor da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern), Heuer tinha razão – e ainda tem. Após duas semanas de um desassossego crescente que estremeceu as hostes da comunidade dos físicos de partículas, cientistas que passam a vida imaginando como seriam as interações entre as peças constituintes da matéria, centenas de pesquisadores se reuniram no dia 13 num auditório na sede do Cern, em Genebra, na Suíça. Tanto eles como outros milhares de estudiosos espalhados pelo mundo, que assistiam a tudo pela internet, queriam saber se, após meio século de buscas, o fugidio Bóson de Higgs, a última partícula cuja existência precisa ser verificada para comprovar as teorias que explicam a matéria, fora finalmente encontrado. “Sim. Não. Talvez. Possivelmente” foram as palavras repetidas à exaustão por Heuer e pelos físicos italianos Fabiola Gianotti e Guido Tonelli. eles dizem haver uma grande chance de Higgs ser finalmente identificado em algum momento de 2012 e chamam os próximos 12 meses de trabalho de “promissores”. Gianetti e Tonelli são responsáveis, respectivamente, pelos experimentos Atlas e CMS, dois detectores gigantes enterrados em lados opostos do túnel de 27 quilômetros de circunferência onde está o Grande Colisor de Hadrons (LHC), o mais poderoso (e caro, pois custou 10 bilhões de euros) acelerador de partículas.

Se o tal Bóson de Higgs não foi achado, por que o estardalhaço? A resposta está nas entranhas do átomo – e na necessidade dos cientistas de justificar o investimento feito até agora. Na escola se aprende que os átomos são formados por um núcleo, em torno do qual orbitam elétrons, e que esse núcleo é composto de prótons e nêutrons. Só na faculdade, dependendo do curso, somos apresentados às partículas da fauna subatômica. Todas foram previstas em teoria e detectadas no espaço ou em choques de átomos em aceleradores de partículas. Todas foram achadas, menos a tal Bóson de Higgs, cuja função é  teórica é dotar as partículas de massa. Sua existência foi prevista em 1964, pelo inglês Peter Higgs e cinco outros pesquisadores.

O Bóson de Higgs é a última peça não detectada do Modelo Padrão, um castelo teórico que tem se provado a explicação mais convincente para entender as propriedades do universo. Quando – e se – Bóson de Higgs for mesmo encontrado, a descoberta comprovará o Modelo Padrão. A existência do Bóson de Higgs explicará então por que todas as coisas têm massa e são como são – desde estrelas e planetas até um carro ou uma cadeira.

Jamais será possível isolar o Bóson de Higgs. Só se pode detectar sua presença nos estilhaços dos choques de partículas no LHC. Ao analisar 360 trilhões de colisões desde 2010, as equipes dos experimentos Atlas e CMS observaram “vislumbres” do Bóson de Higgs, cuja massa é estimada em 125 vezes a massa de um próton. Para ter a certeza de que o Bóson de Higgs lá se esconde, é preciso concentrar as buscas em um altíssimo nível de energia – e torcer para que, apesar da crise econômica, os cofres da União Europeia não fechem, garantindo o bilhão de euros anuais que o LHC consome. Com sorte, o anúncio da semana passada garantirá o orçamento em 2012 para que os cientistas detetives continuem em sua busca.

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