Como Putin destruiu o homem mais rico da Rússia

O totalitarismo soviético deu lugar a um regime autoritário comandado por Vladimir Putin, legitimado pela frágil democracia russa. Putin é acusado de perseguir os críticos e os desafetos e de beneficiar os camaradas com privilégios ilimitados e negócios poupudos, muitas vezes ilegais. A célebre frase do escritor Geroge Orwell em seu livro A revolução dos bichos – “todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais que os outros” – ganhou um novo significado na Rússia pós-comunista. “A lei neste país é a seguinte: se você é amigo do Putin, pode fazer o que quiser”, diz Boris Nemtsov, ex-vice-primeiro-ministro  da Rússia na gestão Ieltsin e um dos principais líderes da oposição. “Se você é inimigo, vai para a cadeia”

O governo cultiva uma relação promiscua com a oligarquia¹ que se formou no país a partir das privatizações, em meados dos anos 1990. Em troca de negócios bilionários, consegue manter os oligarcas do seu lado. Quem ousa seguir um caminho independente se dá mal. Foi o que aconteceu com  Mikhail Khodorkovsky, que era o homem mais rico da Rússia e o 16º do mundo. Ex-vice-ministro da Minas e Energia, ele controlava a Iukos, uma das maiores empresas de  petróleo do país, privatizada em 1996. No início dos anos 2000, no primeiro mandato de Putin, Khodorkovsky vinha aumentando o tom de suas críticas ao governo. Em 2003, durante um encontro com Putin transmitido pela TV, discutiu com o presidente, questionando-o sobre a interferência do Estado nos negócios privados e a corrupção no governo.

Em seguida, Putin determinou uma reavaliação da situação fiscal da  Iukos, acusada de ter uma pendência de US$ 27 bilhões com o Fisco russo. Ao mesmo tempo, os ativos da empresa foram congelados pelo governo, e ela ficou sem recursos para saldar a divida. Em 2006, a Justiça decretou sua falência. A maior parte dos ativos foi comprada a preços reduzidos por estatais do petróleo. Khodorkovsky foi preso em 2003, acusado de fraude e evasão fiscal, e condenado em 2005 a oito anos de prisão. Em fevereiro de 2007, quando ganharia o direito de obter liberdade condicional, ele sofreu noas acusações de fraude e lavagem de dinheiro. Em 27 de dezembro de 2010, depois de diversas violações processuais questionada por seus advogados, Khodorkovsky foi condenado a um total de 14 anos, esticando sua libertação de 2011 para 2017. Hoje, aos 48, ele cumpre sua pena na Colônia Corretiva Nº 7, na pequena cidade de Segeja, no noroeste da Rússia. Sua correspondência e suas visitas são limitadíssimas.

” A Rússia é um típico país autoritário. Não há eleições transparentes, competição política, um Parlamento de verdade, independência  da justiça. O que temos é uma imitação barata de democracia…”, diz Nemtsov.

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