O monstro de Bugatti

Ettore Bugatti

Ettore Bugatti: perfeccionista e totalmente incomum

Ettore Bugatti era um cara perfeccionista e inclinado a extravagancias. Como construtor de carros, parecia fugir do comum e partir para soluções técnicas mais exóticas e complexas. Mas não vou falar sobre Ettore, mas sim sobre duas de suas obras de arte, um “monstro” do mundo automobilístico: o Bugatti Type 41 .

O Type 41 Royale

Certo dia, Ettore ouviu uma senhora inglesa fazer comparações desfavoráveis entre seus carros e os Rolls-Royce ingleses. A partir daí, Ettore resolveu construir um carro de luxo imponente, capaz de fazer qualquer dono de Roll-Royce ou Mercedes-Benz se sentirem humildes. O protótipo era equipado com um motor de 15 litros, mas o modelo de produção recebeu uma versão menor com “apenas” 12,7 litros. Este motor foi construido num bloco de 1,4 metro de comprimento por 1 metro de altura, um dos maiores motores já construídos para uso em automóveis. Cada um dos oito cilindros (125 mm de diâmetro x 130 mm de curso) tinham três válvulas com comando simples no cabeçote e produzia 300 hp de potência. Este motor foi baseado numa versão aeronáutica, desenvolvida para o Ministério do Ar da França.

O chassis foi compreensivelmente substancial. Com uma suspensão com feixes de mola semi-elípticas. Os freios eram efetivos e operados por cabos sem servo-assitência, o que demandava músculos na hora de uma frenagem mais forte. A versão Coupé Napoleon era calçado por rodas de 24″.E seguindo a moda da época, o motorista se deparava com maçanetas em formato de rabo de baleia e volante era feito em nogueira. Cada Royale era fabricado individualmente, mas todos traziam no no topo do radiador, uma escultura de elefante, criada pelo irmão de Ettore, Rembrandt Bugatti. Assim nascia o Bugatti Type 41, mais conhecido como Royale. Com tamanho titânico (4,3 metros de entre-eixos e 6,4 metros de comprimento total) e peso aproximado de 3.175 kg, é tão grande e pesado, que pode ser comparado com um caminhão leve Ford F-450 moderno.

A produção efetivamente começou em 1928, mas com um preço astronômico de 30 mil dólares pelo chassis básico, e com a grande depressão financeira de 1930, o primeiro Royale só foi vendido em 1932. Apenas seis foram produzidos entre 1928 e 1933 (três vendidos para compradores estrangeiros). Criado para compradores da realeza, na verdade nenhum foi vendido a nobres, e Ettore se recusou a vender um exemplar ao Rei Zog da Albania, alegando que este não sequer tinha boas maneiras à mesa.

Versões do Royale

O que a Bugatti vendia, era o motor montado sobe o chassis, o cliente escolhia uma carroceria personalizada construida por alguma grife de sua preferência. Assim, cada Royale tinha uma identidade própria. Além da Coupé Napoleon mostrada na imagem acima, outras belas carrocerias vestiram o Royale:

Royale Coupé Napoleon de 1928

O Coupé Napoleon foi o primeiro Royale construido e utilizado por Ettore Bugatti. Utilizava o motor de 14.7 litros do protótipo original. A carroceria Coupé Napoleon foi concebido pelo construtor de carrocerias Weymann de Paris. Atualmente reside no Museé National de l’Automobile de Mulhouse.

Royale Weinberger Cabriolet de 1931

O Weinberger Cabriolet, foi a única versão conversível do Royale, e vendida em 1932 para o obstetra alemão Joseph Fuchs por $43.000, que encomendou ao construtor de carrocerias Ludwig Weinberger de Munique, que entregou o carro pintado em preto e amarelo em maio daquele ano. Com a tensão pré-guerra, o dr. Fuchs se mudou para a Itália, depois Japão e permanentemente para os Estados Unidos, sempre levando consigo seu Royale. Em 1947, o CEO da General Motors Charels Chayne comprou o carro por 400 dólares e o modificou para um melhor uso em estradas, com uma novo sistema de admissão com quatro carburadores no lugar do simples original e repintando a carroceria de branco ostra e capota verde. Em 1957 Chayne doou o carro ao Henry Ford Museum em Dearborn, Michigan onde o carro está exposto até hoje.

Limousine Park Ward

O quarto exemplar foi o Limousine Park Ward, vendido ao capitão inglês Cuthbert W. Foster, dono de uma grande loja de departamentos em Boston, Estados Unidos. A carroceria foi encomendada à fabricante britânica Park Ward, que criou este estilo de carrocerias em 1921. Em 1946 foi comprado pelo representante britânico da Bugatti, Jack Lemon Burton e revendido em 1956 para o colecionador americano John Shakespeare, fazendo parte da maior coleção de Bugattis de todos os tempos. Sofrendo problemas financeiros, em 1963 Shakespeare vende toda sua coleção a Fritz Schlumpf. Atualmente o modelo reside no Museé National de l’Automobile de Mulhouse, ao lado do Coupé Napoleon.

Royale Kellner

O Kellner foi o quinto exemplar construido, mas não foi vendido por Bugatti. Durante a Segunda Guerra Mundial, foi pilhado pelo exército nazista, durante a ocupação francesa. Em 1950, L’Ebe Bugatti o vendeu junto com o Berline de Voyage ao piloto americano Briggs Cunningham por uma pequena, mas não divulgada soma de dinheiro. Depois de fechar seu museu, em 1987 Cunningham vende o modelo através da casa de leilão Christie’s por 9,7 milhões de dólares ao suéco Hans Thulin. Com o colapso de seu império, em 1990 Thulin vende o modelo por 15,7 milhões de dólares  ao conglomerado japonês Meitec Corporation. E finalmente em 2001 foi arrematado em leilão na Bonhams & Brooks por 17,6 milhões de dólares.  O comprador não foi divulgado, mas recentemente foi exposto pelo corretor suíço Lukas Huni.

Royale Berline de Voyage

E o sexto exemplar do Royale foi este Berline de Voyage, também não foi vendido por Bugatti e também foi pilhado pelos nazistas durante a Segunda Guerra. Foi vendido ao piloto Briggs Cunningham junto com o Kellner, que o revendeu a através da Harrah Collection em 1986 por  6,5 milhões de dólares a Jerry J. Moore. que o manteve por um ano e o revendeu a Tom Managham por 8,1 milhões de dólares. Managham, fundador da Domino’s Pizza o vendeu por 8 milhões de dólares à Blackhawk Collection da Califórnia onde está exposto.

Puxando trens

O belo motor de 350 kg todo esculpido em alumínio,  foi construido para ser o maior sucesso de Ettore Bugatti, mas o carro queType 41 Royale, que ele equipou, foi um grande fracasso comercial. Para utilizar os 23 motores que sobraram após o fim de produção do Royale, Ettore desenvolveu uma locomotiva que poderia ser impulsionada por dois ou quatro destes motores. 79 unidades destas locomotivas foram construidas para a Ferroviaria Nacional Francesa SNCF, que utilizou estas locomotivas em linhas regulares até 1956. A locomotiva transformou o projeto Royale de fracasso econômico a sucesso comercial. Os motores foram configurados para gerar apenas 200 hp, mas mesmo assim asseguravam excelente performance, uma das locomotivas bateu o recorde mundial de velocidade média com 196 km/h por 70 km.

 

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