Projeto Leico

Estou iniciando o projeto de um site para compilar fichas técnicas. Na primeira fase serão publicadas fichas técnicas de motocicletas e mais futuramente de automóveis, bicicletas e computadores. Em breve divulgo o endereço para visitação e avaliação de vocês.

Acervo pessoal #2

Locomotiva na estação (acrílico sobre tela 70x50) - Janeiro de 2012

Black Targa (Acrílico sobre tela 50x50) Dezembro de 2011

Supernovas, as assassinas cósmicas

Elas são assassinas cósmicas: espetaculares detonações cósmicas, 100 bilhões de vezes mais fortes que o Sol… e por um instante ofuscam toda uma galáxia. Se uma acontecesse perto da Terra, a vida no planeta cessaria…

Não existe guerra no trânsito.

É só acontecer um acidente de trânsito que cause repercussão pública, que a mídia começa a falar na tal “guerra no trânsito”. Na verdade não existe nenhuma “guerra”. O que realmente existe é falta de educação e egoísmo por parte dos motoristas brasileiros. Uma guerra é travada entre rivais com o intuito de destruir um ao outro. E eu duvido que alguém acorde de manhã para trabalhar e entre no carro com a ideia de destruir alguém no caminho para o trabalho.

Sim, o trânsito brasileiro é um dos mais violentos do mundo e causa centenas de milhares de mortes todos os anos, e em números absolutos, supera muitas guerras travadas pelo mundo e este fato está apoiado em duas raízes:

1) JUSTIÇA FROUXA: leis brandas que dão ao motorista brasileiro a sensação de impunidade infinita. Por exemplo: um motorista por mais sinais de embriaguez que apresente, não é obrigado a fazer o teste do bafômetro, sai impune. Se atropelar e matar alguém, responde em liberdade e geralmente acaba pagando a pena com trabalhos comunitários. E quanto maior o poder financeiro do réu, maior a probabilidade de sair ileso. Na Inglaterra, por exemplo, o motorista que for flagrado falando ao celular enquanto dirige, é punido com um ano de prisão e suspensão da habilitação por mais três anos. Em alguns países árabes e asiáticos, crimes de trânsito podem ser punidos até com pena de morte. No Japão, um aspirante a motorista passa por um processo de um ano para conseguir uma carteira de habilitação. Aqui no Brasil, quando a lei seca passou a vigorar com promessas de punições mais severas, o índice de acidentes por embriaguez caiu drasticamente. Mas assim que perceberam que não havia realmente uma punição pesada, os motoristas bebuns voltaram a barbarizar no trânsito. E até mesmo um dos criadores da tal Lei Seca foi autuado por dirigir bêbado.

2) SOMOS MAL-EDUCADOS: na Alemanha, os adolescentes recebem aulas de legislação de trânsito no colégio. Quando chegam à idade de tirar habilitação de trânsito, já tem uma cultura de boas práticas impregnada em suas mentes. Me lembro que li em algum lugar, um rapaz que viajou para a Alemanha comentar com espanto o fato dos motoristas alemães darem seta em qualquer mudança de faixa, respeitarem o sinal vermelho mesmo em ruas desertas e acima de tudo o respeito quase religioso aos pedestres e ciclistas. Aqui no Brasil, parece que cada cidadão se acha mais merecedor ou mais urgente do que os outros. Motoristas tem dificuldades em dividir o espaço público e acabam dando um show de fechadas, xingamentos e ultrapassagens desafiadoras. Sem falar nos estacionamentos irregulares em faixas de pedestres, vagas de deficientes, guias rebaixadas, esquinas, etc. O cara que sai atrasado para o trabalho, se acha no direito de dirigir perigosamente e se esquece de que vários outros motoristas podem estar atrasados também. Mas o que vale é a lei do egoísmo onde cada um tenta resolver o próprio problema e que se dane o resto. É nessa afobação que acontecem a maioria dos acidentes. Isso sem contar nos indivíduos não-habilitados a dirigir que não são poucos em nosso país. Além do processo de aquisição de uma CNH ser muito mal elaborado, existe a venda de CNH, onde o aspirante a motorista paga uma quantia para que a auto-escola em parceria com examinadores do DETRAN facilitam a aprovação do motorista, mesmo que este não tenha recebido todas as aulas ou provas teóricas. Isso torna possível ver pessoas despreparadas (e às vezes até analfabetas) dirigindo todo tipo de veículos pelas ruas e estradas brasileiras.

O Brasil passa por um ótimo momento econômico e político no cenário mundial. O brasileiro nunca teve tanto acesso ao crédito como tem hoje e prova disso é o boom na venda de veículos. Qualquer cidade de médio ou grande porte no Brasil está entulhada de motos e carros novos disputando espaço. Mas de nada adianta o povo ter mais poder de compra e não adquirir educação, noções de cidadania. Se for assim, o brasileiro não passará de um povo mau-educado dirigindo carros de última geração e nada mais. Temos que antes de tudo, perseguir e conquistar o status de povo bem educado, gente civilizada, assim como os europeus, japoneses e outros povos educados a respeitar o espaço alheio. Essa educação e respeito naturalmente se refletirá num trânsito mais seguro.

Buscando planetas

Como 53 mil astrônomos amadores estão ajudando cientistas a encontrar planetas fora do sistema solar (Salvador Nogueira)

Na tela do computador surge um gráfico. O sujeito arregala os olhos e reconhece que algo foge dos padrões. Furiosamente, escreve uma mensagem aos colegas. Assunto: “Object: SPH10072708″. As respostas chegam rápido. “Definitivamente,  vemos pelo menos dois trânsitos aí. Um parece ter período de 14 dias.” Nenhum dos envolvidos é cientista, mas todos estão engajados no Planet Hunters, projeto que mobiliza amadores de todo o mundo na busca por plantas fora do sistema solar. A iniciativa tem encontrado astros que passaram desércebidos pelos equipamentos da NASA e já reúne 53 mil pessoas.

A idéia é simples: pegar um gigantesco calhamaço de informações e jogar na internet para que pessoas fiquem analisando os dados e vejam se encontram os chamados exoplanetas. A caça conta com o apoio de astrônomos das Universidades de Yale (EUA), de Oxford (Inglaterra) e da Nasa. “Quando começamos a pensar no projeto, em agosto de 2010 (foi lançado em desembro), as pessoas diziam que não ia dar certo porque estávamos apresentando séries de dados, não imagens”, afirma Debra Fischer, astrônoma de Yale e líder do Planet Hunters. “Mas até mesmo nós subestimamos a tenacidade do público, que estava ansioso para gastar tempo na busca.”

Os dados brutos vêm da sonda Kepler, da Nasa. Destinada à pesquisa de objetos fora do Sistema Solar, ela monitora o brilho de cerca de 150 mil estrelas. Quando um planeta passa à frente da estrela, conforme avança em sua órbita, o brilho dela diminui sutilmente. Analisando um gráfico que mostra a luminosidade ao longo do tempo, é possível dizer se houve um ou mais plantes transitando à sua frente.

O grupo de cientistas do Kepler não tem como analisar 150 mil gráficos diferentes. Eles usam um programa de computador que faz a checagem automática em busca de sinais de planetas. Somente os que passam pelo filtro são analisados pela equipe. A premissa do Planet Hunters é a de que o cérebro humano é melhor para enxergar padrões do que os algoritmos de computador. Mas para gerar massa crítica de análise, só mesmo juntando muita gente. O custo da iniciativa, US$ 100 mil, faz cócegas nas estimativas de gastos do Kepler: US$ 600 milhões.

Gráficos complicados

Para os usuários, nem sempre as coisas são fáceis. Os gráficos de brilho vêm cheios das oscilações normais de luminosidade de uma estrela que podem vir de manchas solares, erupções e padrões de atividade. Na prática não é tão fácil enxergar um trânsito planetário. “Olhei para 40 curvas de luminosidade e encontrei apenas uma que me deu certeza de que havia um trânsito. parece que estou fazendo uma prova para a Ordem dos Advogados e não sei se fui bem ou mal”, afirma um dos usuários que se identifica no fórum como kyeri. “Não é uma prova. Você está fazendo ciência. Não há resposta correta”, responde no mesmo fórum Kevin Schawinski, cientista de Yale.

De acordo com os participantes, a dificuldade inicial cede com o tempo. “Um pouco de prática pode fazer um caçador de planetas. Claro que exige estudo e dedicação”, diz o advogado brasileiro Nelson  Vianna, depois de dez dias se divertindo com a caçada. Mas o site não interessa apenas a quem quer brincar de astrônomo. Daniel Barringer, 22 anos, está fazendo pós-graduação em astronomia na Universidade da Pensilvânia, EUA, e passa um bom tempo logado no planethunters.org. “É difícil encontrar alguém que não seja capturado pela ideia de que há outros planetas for do Universo”.

Descobertas

Com tantos dados, é natural que haja alarmes falsos. Para a publicação do primeiro estudo científico em um periódico, a equipe do Planet Hunters fez uma investigação mais profunda em seus 10 melhores resultados, usando inclusive observações com telescópios em terra. De todos, 7 não são planetas (uma das confusões mais comuns é se tratar uma estrela dupla, em que um astro fica passando à frente do outro). Mas 3 resultaram em descobertas. Dois deles saíram em estudo publicado na revista britânica Monthly Notices of the Royal Astronomical Society. Um parece ter diâmetro 8 vezes maior que o terrestre, o outro quase 3 vezes maior. Ambos giram bem próximos de suas estrelas e devem ter temperaturas muito altas para abrigar formas de vida. Como autores do estudo, além dos cientistas, assinam também 6 caçadores de planetas voluntários – uma das formas de recompensar os envolvidos pelo esforço é dar a chance de colocar seu nome num artigo cientifico de verdade.

E quanto ao terceiro objeto encontrado? Ele ainda está passando por uma análise mais profunda, já que, aparentemente há vários planetas ao redor da mesma estrela. Um objeto interessante que provavelmente teria passado despercebido pela equipe do Kepler, não fosse pelo Planet Hunters. Os resultados validam a importância do projeto. Por alguma razão, o programa de computador da equipe Kepler havia desconsiderado esses planetas como alvo de futuras investigações. Coube ao projeto resgatá-los e fazer a descoberta. Há pelo menos mais 100 candidatos a planetas encontrados pelo site aguardando investigação mais profunda. para os responsáveis pelo programa, ele representa o futuro da astronomia amadora. “Nos velhos tempos astrônomos profissionais iam a telescópios de 12 polegadas e faziam estudos”, diz Debra Fisher. Hoje eles têm à disposição os mesmo equipamentos que os cientistas da Nasa.

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http://planethunters.org 

Mil milhas por hora…em terra

A equipe britânica que fez o primeiro carro supersônico, em 1997, constrói outro para acelerar até 1609 km/h.

(Gerson Moura e Rodrigo Fortes)

Em 1898, um carro elétrico francês atingiu 63,15 quilômetros por hora, o primeiro recorde oficial de velocidade em terra. Quase 100 anos e 30 recordes depois, em 1997, o inglês Andy Green, ex-piloto da RAF (a Força Aérea Britânica), acelerou no leito do lago seco Black Rock, Estados Unidos, até fazer o carro-foguete Thrust (empuxo, na treadução do inglês) quebrar a barreira do som. estabeleceu o atual recorde de 1.227 km;h. Loucos por velocidade, Green e o dono do Thrust, o escocês Richard Noble, projetam um carro para pulverizar o próprio recorde e disparar até 1.000 milhas por horas (ou mais de 1.600 km/h). O carro supersônico Bloodhound é um caça a jato sobre rodas. Ao custo de R$ 30 milhões, deverá ficar pronto até o fim de 2012. Green e Noble pretendem estabelecer a nova marca em 2013, na África do Sul.

Bóson de Higgs. Afinal, ele existe?

A FOTO DE HIGGS: A simulação do choque de partículas no LHC. Desde 2010, já foram 360 trilhões de colisões para tentar detectar o Bóson de Higgs

A busca pela última partícula que constitui a matéria pode estar no fim, afirmam físicos do Cern.

(Peter Moon)

Os físicos sabem tudo sobre o Bóson de Higgs, exceto se ele existe, disse certa vez o alemão Rolf-Dieter Heuer. Diretor da Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (Cern), Heuer tinha razão – e ainda tem. Após duas semanas de um desassossego crescente que estremeceu as hostes da comunidade dos físicos de partículas, cientistas que passam a vida imaginando como seriam as interações entre as peças constituintes da matéria, centenas de pesquisadores se reuniram no dia 13 num auditório na sede do Cern, em Genebra, na Suíça. Tanto eles como outros milhares de estudiosos espalhados pelo mundo, que assistiam a tudo pela internet, queriam saber se, após meio século de buscas, o fugidio Bóson de Higgs, a última partícula cuja existência precisa ser verificada para comprovar as teorias que explicam a matéria, fora finalmente encontrado. “Sim. Não. Talvez. Possivelmente” foram as palavras repetidas à exaustão por Heuer e pelos físicos italianos Fabiola Gianotti e Guido Tonelli. eles dizem haver uma grande chance de Higgs ser finalmente identificado em algum momento de 2012 e chamam os próximos 12 meses de trabalho de “promissores”. Gianetti e Tonelli são responsáveis, respectivamente, pelos experimentos Atlas e CMS, dois detectores gigantes enterrados em lados opostos do túnel de 27 quilômetros de circunferência onde está o Grande Colisor de Hadrons (LHC), o mais poderoso (e caro, pois custou 10 bilhões de euros) acelerador de partículas.

Se o tal Bóson de Higgs não foi achado, por que o estardalhaço? A resposta está nas entranhas do átomo – e na necessidade dos cientistas de justificar o investimento feito até agora. Na escola se aprende que os átomos são formados por um núcleo, em torno do qual orbitam elétrons, e que esse núcleo é composto de prótons e nêutrons. Só na faculdade, dependendo do curso, somos apresentados às partículas da fauna subatômica. Todas foram previstas em teoria e detectadas no espaço ou em choques de átomos em aceleradores de partículas. Todas foram achadas, menos a tal Bóson de Higgs, cuja função é  teórica é dotar as partículas de massa. Sua existência foi prevista em 1964, pelo inglês Peter Higgs e cinco outros pesquisadores.

O Bóson de Higgs é a última peça não detectada do Modelo Padrão, um castelo teórico que tem se provado a explicação mais convincente para entender as propriedades do universo. Quando – e se – Bóson de Higgs for mesmo encontrado, a descoberta comprovará o Modelo Padrão. A existência do Bóson de Higgs explicará então por que todas as coisas têm massa e são como são – desde estrelas e planetas até um carro ou uma cadeira.

Jamais será possível isolar o Bóson de Higgs. Só se pode detectar sua presença nos estilhaços dos choques de partículas no LHC. Ao analisar 360 trilhões de colisões desde 2010, as equipes dos experimentos Atlas e CMS observaram “vislumbres” do Bóson de Higgs, cuja massa é estimada em 125 vezes a massa de um próton. Para ter a certeza de que o Bóson de Higgs lá se esconde, é preciso concentrar as buscas em um altíssimo nível de energia – e torcer para que, apesar da crise econômica, os cofres da União Europeia não fechem, garantindo o bilhão de euros anuais que o LHC consome. Com sorte, o anúncio da semana passada garantirá o orçamento em 2012 para que os cientistas detetives continuem em sua busca.

Quais são as 10 profissões mais felizes e infelizes do mundo?

Os profissionais mais felizes do mundo, de acordo com uma pesquisa da Universidade de Chicago (EUA), são os membros do clero. Faz sentido, né? Taí uma profissão em que, se o pessoal fosse infeliz, ficaria feio.

Dá uma olhada no top 10.

1 – Clérigos
2 – Bombeiros
3 – Fisioterapeutas
4 – Escritores
5 – Professores de educação especial
6 – Professores
7 – Artistas
8 – Psicólogos
9 – Vendedores de serviços financeiros
10 – Engenheiros de operação

A maioria desses trabalhos se baseia em ajudar pessoas — é a isso que os pesquisadores creditam a boa colocação no ranking. Para outros, como escritores e artistas, parece que aautonomia e a liberdade de expressão são as responsáveis pela felicidade. Os vendedores de serviços financeiros, por sua vez, ganham comissões generosas, e os engenheiros de operação talvez se divirtam com brinquedões como escavadeiras e guindastes.

Como bônus, pega aí o top 10 das profissões mais infelizes do mundo, feito pelo siteCareerBliss — elas, curiosamente, tendem a ser mais bem pagas do que as profissões listadas acima (e mais chatas também, impossível não dizer).

1 – Diretor de tecnologia da informação
2 – Diretor de vendas e marketing
3 – Gerente de produto
4 – Desenvolvedor web sênior
5 – Especialista técnico
6 – Técnico em eletrônica
7 – Secretário judicial
8 – Analista de suporte técnico
9 – Operador de CNC
10 – Gerente de marketing

E aí, se encontrou no meio de algum desses dois rankings?

Francesinho duro na queda

Gosto pela aventura: o Raid 2CV é um passeio de amigos por terrenos exóticos, sem competição. Por Jason Vogel

Vegetação de caatinga, calor de 40ºC, poeira fina de travar câmera fotográfica… o mais popular dos carros franceses parecia ter encontrado seu ambiente natural. Na árida divisa do Piauí com o Maranhão, a coluna formada por 33 super coloridos Citroën 2CV despertava a curiosidade dos locais. Professores liberavam as crianças das salas de aula; adultos cercavam a caravana cheios de perguntas:

-É tudo Fusca?

-Vocês tão arrodeando o mundo nesses carros?

- É rali?

Ainda muito brancos em seu primeiro dia de aventura, os franceses se limitavam a rir. E tentavam alguma comunicação, por gestos ou no idioma de Balzac.

Contatos imediatos assim se repetiram ao longo de duas semanas, enquanto o Raid 2CV Brazil 2011 percorreu o Nordeste do país. Na aventura, realizada entre o fim de outubro e o início de novembro, “citroneiros” europeus rodaram por 2.200 km de estradas bem asfaltadas, esburacadas ou, de preferência, inexistentes.

Apesar do nome em inglês, a expedição foi comandada por um francês – Jean-Pierre Lenfant, que convive com os Deux Chevaux  (dois Cavalos) desde que estudava medicina, na década de 60. O pequeno e versátil Citroën era, então, o modelo favorito da juventude. Do estacionamento da faculdade, os garotos iam cada vez mais longe com seus 2CV: Espanha, Tunísia e, por fim, corriam a África  inteira. A própria fábrica patrocinava muitas dessas expedições voltadas para universitários, como uma maratona de ida e volta ao Irã.

Na década de 70, Lenfant comandou as equipes médicas dos primeiros ralis Paris-Dakar. Desde 1985, ele organizava a Peter Pan productions, associação de amigos que têm em comum a paixão pelo Deuche (é esse o apelido francês do modelo) e amor por aventuras em terrenos exóticos e agrestes. Na França, há vários grupos assim.

uase todos os participantes da expedição pelo Nordeste do Brasil eram franceses, mas haviam algumas duplas de syíços e belgas. As idades variavam: desde moças de 20 e poucos anos até um octogenário. É uma turma que se cotiza (3.100 euros por pessoa) e, a cada dois anos, cai na estrada para uma viagem de férias.

Os carrinhos e seus tripulantes já rodaram o mundo, como atestam os adesivos coloridos e as inscrições nas portas e nos capôs. Em edições anteriores, foram da Mongólia à China, cruzaram os Andes, percorreram o marrocos e rodaram pela Patagônia.

Dessa vez, os 33 carros viajaram em navio de Le Havre ao porto de Pecem, a 58 km de Fortaleza. Além dos pequenos Citroën, vieram veículos de apoio, trazendo peças de reposição impossíveis de serem achadas por aqui. O mais impressioante era um Pinzgauer 6×6, modelo com jeitão militar fabricado na Áustria.

Acompanhei os dois primeiros dias da viagem por trechos entre a capital do Ceará e São Luis do Maranhão, sempre pelo interior. Apesar de gostar muito de seus 2CV,os participantes não têm frescuras com os carros, que são submetidos a buracos, areia e até travessia de rios. Sem ponte.

Nesses passeios roda-se  da manhã até a noite. Os aventureiros são, na maioria, senhores e senhoras de meia-idade, que trabalham em escritórios ou repartições públicas na França. Quem os vê, se espanta com tanta disposição para dirigir por tanto tempo sem parar. Para não ficar pelo caminho, os carros são preparados com amortecedores mais robustos, reforços nos braços de suspensão, “bacalhaus” no chassi e enormes filtros de ar para segurar a poeirada e a areia. Os pára-lamas são recortados para facilitar as trocas de pneus e os ângulos de entrada e saída.

O Citroën 2CV foi produzido de 1948 a 1990, mas era difícil precisar a data de fabricação dos inscritos, já que todos misturavam peças de três ou quatro modelos de anos diferentes.

Não há competição, apenas um passeio de amigos. Nesse tipo de rali, todos são ganhadores e a paisagem é o troféu. “É tudo por aventura e prazer. O 2CV é um carro simpático e fácil de consertar. E nessas viagens encontramos um monte de gente diferente”, diz Marie-Laure Didillon, integrante do Yellow Team, grupo que trouxe três Citroën amarelos.

Mesmo com tração apenas nas rodas dianteiras, os carrinhos venceram atoleiros e grandes trechos de areia. O segredo está na leveza: um 2CV vazio pesa 560 quilos. Encalhou? Empurra-se…

Sobre estradas de terra, esburacadas, andavam a 70 km/h. No asfalto liso, os Deuches passavam dos 105 km/h. Bela marca para seu motorzinho de dois cilindros refrigerados a ar, de modestos 602 cm³ e potência em torno de 30 cv (Dois Cavalos é apenas o nome fantasia do carro).

Há preparadores que adotam o motor do extinto Citroën Visa, que tem a mesma arquitetura básica, mas com cilindrada de 652 cm³. Um verdadeiro bólido.

Para encarar esses passeios, é preciso habilidade mecânica. A cada amanhecer no acampamentos, os donos consertavam o que fora estragado na véspera. E, sempre que alguém, parava no caminho, o resto da turma ajudava. Após um início pelo sertão, a volta foi por lugares paradisíacos do litoral de Maranhão, Piauí, Ceará e Rio Grande do Norte. São cenários desconhecidos da maioria dos brasileiros: Lençóis, Santo Amaro, Barreirinhas, Camocim, Mandaú, Guaramiranga, Morro Branco, São Miguel do Gostoso… Algumas vezes a travessia tinha que ser feita por jangada.

Os participantes se deslumbravam com as paisagens, mais surpreendentes a cada dia. “O Brasil se presta bem ao uso do 2CV. Ele tem a simpatia dos habitantes, sempre receptivos”, completa Lenfant.

A grande maioria dos 2CV chegou ao fim da viagem rodando pelos próprios meios. Planejada ao longo de dois anos, a expedição foi um sucesso.

Problema mesmo, só com a burocracia e as taxas portuárias. Por esses motivos, a largada passou de Belém para Fortaleza. E, no fim, os carros tiveram de voltar à França pelo porto do Rio (para onde foram levados de caminhão-cegonha).

O próximo destino? Algum paraíso perdido. Essa turma sabe levar a vida…

Quem tem consciência ambiental?

Na fila do supermercado, o caixa diz uma senhora idosa:

- A senhora deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não são amigáveis com o ambiente.
A senhora pediu desculpas e disse:
- Não havia essa onda verde no meu tempo.
O empregado respondeu:
- Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com o nosso ambiente.
- Você está certo – responde a velha senhora - nossa geração não se preocupou adequadamente com o ambiente. Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.
Realmente não nos preocupamos com o ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhávamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?
Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar. Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.
Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos ‘descartáveis’ e poluentes só porque a lâmina ficou sem corte.
Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só  uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.
Então, não é risível que a atual geração fale tanto em “meio ambiente”, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?
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